Pesquisa comprova eficácia do leite materno nos primeiros seis meses de vida do bebê

Aleitamento exclusivo protege a criança contra infecções respiratórias, otite aguda, estomatite e afta

Resultados mostraram que quanto mais tempo os bebês eram alimentados exclusivamente no peito, menor era taxa de infecções e menos frequentes as visitas ao pediatra
Resultados mostraram que quanto mais tempo os bebês eram alimentados exclusivamente no peito, menor era taxa de infecções e menos frequentes as visitas ao pediatra Foto: Divulgação

A professora de Educação Física Vanessa dos Santos Lioneza quase pensou em desistir. No começo, foi complicado.

– Tive rachaduras nos seios. Chorava de dor. Precisei muitas vezes tirar o leite com uma bombinha e colocar na chuquinha. Mas não queria desistir e sofria muito – conta a mãe de Sophia.

Durante os seis primeiros meses de vida da filha, ela persistiu e alimentou-a apenas com leite materno. Sophia bem que poderia compor o resultado de uma pesquisa elaborada do outro lado do mundo, na Grécia. Emmanouil Galanakis, professor de doenças infecciosas pediátricas da Universidade de Creta, descobriu que apenas a amamentação exclusiva afasta o risco de o bebê contrair infecções.

De acordo com Galanakis, o aleitamento exclusivo por seis meses protege o bebê durante o primeiro ano de vida, principalmente contra infecções respiratórias, otite aguda, estomatite e afta.

No estudo foram pesquisadas 1.049 mães e seus bebês, nascidos entre outubro e dezembro de 2004 e entre abril e julho de 2005. Da amostra, 926 pares foram acompanhados por 12 meses e submetidos a entrevistas. As mulheres respondiam sobre amamentação, visitas ao pediatra, idas ao hospital e informavam episódios de doenças em seus filhos.

– Nossos resultados sugerem que é a amamentação exclusiva que ajuda na prevenção – explica.

O especialista da Universidade de Creta ainda não sabe ao certo como funciona o mecanismo de proteção do leite, mas acredita em respostas simples, como a ação dos anticorpos presentes em sua composição. Ele cita como exemplo o fato de o aleitamento via mamadeira ser suscetível a um aumento na exposição a bactérias causadoras de doenças ou a alterações na flora microbiana do intestino da criança.

– Além disso, bebês alimentados com mamadeiras são segurados em uma posição diferente, com o ventre voltado para cima. Isso facilita a passagem de patógenos para o ouvido médio e o desenvolvimento de otite – explica Galanakis. – É óbvio que não podemos subestimar os efeitos psicológicos para o bebê. A amamentação não é apenas o leite materno, é muito mais – acrescenta.

Saiba mais

– Os cientistas acompanharam 926 bebês nascidos na Ilha de Creta, na Grécia, entre outubro de 2004 e julho de 2005.

– Os pesquisadores descobriram que quase dois terços das mães amamentaram um mês e apenas 17% praticaram o aleitamento por seis meses. Apenas uma em 10 era adepta da amamentação exclusiva por esse período.

– Os resultados mostraram que quanto mais tempo os bebês eram alimentados exclusivamente no peito, menor era taxa de infecções e menos frequentes as visitas ao pediatra. Os 91 bebês que receberam apenas leite materno por seis meses tiveram redução significativa nas infecções de ouvido e respiratórias agudas e episódios mais raros de afta, em comparação com as crianças que tiveram complemento alimentar ou que não foram amamentadas.

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