Pesquisa diz que 46% das crianças e adolescentes brasileiros usam internet sem supervisão de adulto

De cada dez estudantes, dois possuem página web ou blog

Redes sociais decidiram ampliar meios de proteger os jovens dos riscos da internet
Redes sociais decidiram ampliar meios de proteger os jovens dos riscos da internet Foto: Reprodução

Atenção, senhores pais. Se o seu filho tem computador com acesso à internet, você precisa repensar a relação dele com a tecnologia e a maneira com que você lida com a interação da criança e do adolescente. O alerta e as consequências já são conhecidos, mas uma pesquisa inédita realizada pelo Programa EducaRede, da Fundação Telefônica, em parceria com a Universidade de Navarra, descobriu estatísticas preocupantes.

O estudo que ouviu 25 mil estudantes do Brasil e de outros seis países descobriu que 46% dos estudantes não têm acompanhamento de pais ou professores no uso da rede. Além disso, de cada dez estudantes brasileiros, dois possuem página web ou blog, o que significa que eles estão produzindo e consumindo conteúdo que nem sempre um adulto viu. E quais os resultados disso tudo?

Charo Sádaba Chalezquer, pesquisadora da Universidade de Navarra, envolvida na pesquisa, fala como lidar com o problema.

Para os professores

“Eles precisam ser incentivados e capacitados para encontrar o modo de introduzir a tecnologia em sua prática pedagógica, e eu não me refiro apenas aos equipamentos, mas também para enfrentar as consequências e atitudes que as tecnologias impactam nos alunos.”

Internet sem supervisão

“O uso da internet em lan houses é feito, na maioria dos casos, sem supervisão. Nas navegações sem controle, as crianças e os adolescentes carecem de uma orientação que possa estipular regras para algumas coisas que venham a fazer, como fornecer dados pessoais e acessar páginas com conteúdo pouco recomendado. Vale destacar que os jovens podem acessar toda informação, todo o mundo, quando conectados à internet. A principal consequência é que eles ficam expostos, de forma solitária, a situações de risco.”

Mudança nas relações

“O estudo demonstra que a maior parte do uso das redes sociais e dos chats é para reforçar os vínculos sociais previamente estabelecidos. Pode ser que a facilidade de conhecer muitas pessoas faça com que ter muitos amigos no perfil do jovem se torne uma forma de ter popularidade. Com isso, o conceito de amizade pode acabar sendo banalizado. Mas o objetivo fundamental do uso das redes sociais acaba sendo falar e compartilhar coisas com amigos, com aqueles que estudam no mesmo colégio, nas férias e em outras atividades como jogos.”

Conhecendo o amigo virtual

“Não há motivo para um jovem ou uma criança conhecer um amigo virtual. Os pais deveriam motivar os filhos a serem mais amigos dos amigos que já conhecem, antes de conhecer gente nova pela internet. Quando essas crianças entram para a fase da adolescência, a partir dos 13 e 14 anos, é mais difícil colocar em prática esse tipo de controle. Neste caso, os pais deveriam orientar seus filhos de que tudo o que é feito na internet deve ser feito com cautela.

Nunca deve-se encontrar sozinho um amigo que conheceu virtualmente, nunca deve-se fornecer dados de caráter pessoal, como endereço e telefone. Eu acredito que os pais nem sempre estão cientes que seus filhos estabelecem esse tipo de contato na internet.”

Repensar a educação

“O primeiro passo consiste em estar consciente de que as novas tecnologias, as novas mídias, já fazem parte do contexto educacional. Não ser um especialista em tecnologia não nos desabilita para educar essa geração: é preciso estar preparado para entender os efeitos que o uso das tecnologias têm na vida para incorporá-los e modificar o discurso educativo. Os jovens entendem mais das novas tecnologias, mas carecem de experiência de vida, coisa que os adultos têm.

A educação sempre teve o objetivo de formar pessoas responsáveis, livres e capazes de viverem suas próprias vidas. Mas até que ponto as novas tecnologias os aproximam ou afastam desses objetivos? Aliás, pode deixá-los poucos reflexivos, impacientes. E como podemos ajudá-los lidar com essas coisas? Creio que esse é um desafio apaixonante que os pais e professores têm de agora em diante. E a responsabilidade deles é indiscutível.”

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