Pesquisa inédita revela aumento do número de mulheres infartadas

Segundo cardiologista, mulheres se preocupam mais com cânceres ginecológicos

Número de mulheres infartadas aumentou 3,8%
Número de mulheres infartadas aumentou 3,8% Foto: Bebel

A jornada dupla ? no trabalho e em casa ? a pressão por resultados, o fumo e a falta de exercícios físicos são fatores que aumentam o risco para doenças do coração das mulheres brasileiras. Pesquisa realizada pelo HCor, revela que o número de infartados caiu 12% em 2010 comparado ao ano anterior. No sexo masculino a queda foi de 17%, já no sexo feminino ocorreu um aumento de 3,8%. A faixa etária dos pacientes infartados no sexo masculino se concentra entre 45 a 74 anos e no sexo feminino na faixa de 60 a 89 anos.

De acordo com o cardiologista Cesar Jardim, apesar de as doenças cardiovasculares causarem mais mortes, as mulheres acabam se preocupando mais com os cânceres ginecológicos (útero, ovário e mama).

? Isso faz com que elas deixem de valorizar a questão cardiológica, que deveria assustar mais, até por conta dos números ? explica.

Segundo o especialista, as doenças cardiovasculares eram predominantemente masculinas, cenário que mudou porque, atualmente, elas trabalham tanto ou até mais do que eles, já que muitas têm de cuidar dos filhos e da casa. Outras doenças também aumentam as chances de um problema cardiovascular, como a hipertensão e o diabetes.

? A principal batalha contra esses problemas são os cuidados com os fatores de risco. Por isso, é importante levar uma vida saudável e fazer os exames regularmente, como medir a pressão, calcular a taxa de glicose no sangue e o nível de colesterol ? esclarece.

As questões genéticas, o sedentarismo e a alimentação inadequada são fatores determinantes para o aumento do problema. A pressa para cumprir todas as funções do dia impede muitas vezes que se faça refeições balanceadas e regulares, garantindo o consumo de todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo.

Para facilitar o diagnóstico e a prevenção entre o público feminino, a American Heart Association (AHA), referência mundial em saúde do coração, divulgou recentemente novas diretrizes. No documento, ampliou a lista de fatores de risco, contestou a eficiência de procedimentos preventivos e chamou a atenção para a responsabilidade compartilhada entre médico e paciente na adesão ao tratamento. As orientações deverão ser seguidas por cardiologistas de todo o mundo.

A inclusão de novos fatores de risco contempla agora enfermidades tipicamente femininas. Quem teve complicações na gravidez (diabetes gestacional e hipertensão induzida pela gestação) ou tem artrite reumatoide ou lúpus deve procurar um cardiologista. Além disso, a depressão passa a ser considerada um fator de risco. Uma das razões é o fato de a doença prejudicar a capacidade da mulher de se cuidar e até mesmo de seguir orientações médicas.

Novos fatores de risco

:: Doenças autoimunes
:: Lupus
:: Artrite reumatóide

Complicações na gravidez

:: Hipertensão induzida pela gestação
:: Diabetes gestacional

 Psiquiátricas

:: Depressão

 Indicadores para uma boa saúde cardíaca

:: Colesterol abaixo de 200mg/dL;
:: Pressão sanguínea menor que 120/80 mm Hg;
:: Glicose menor que 100 mg/gL;
:: Índice de massa corpórea abaixo de 25;
:: Não fumar;
:: Praticar, semanalmente, no mínimo 150 minutos de exercícios moderados ou 75 minutos de exercícios de alta intensidade;
:: Cuidar da alimentação (priorizando o consumo de fibras e controlando gorduras saturadas e sódio).

 

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