Pesquisa mostra que empresas não sabem capturar o desejo das mulheres

Prioridades do público feminino não são compreendidas, dizem consumidoras

Compras são motivadas por emoções, explica a terapeuta
Compras são motivadas por emoções, explica a terapeuta Foto: Stock Photos, Divulgação

O Natal e o réveillon estão chegando e, com eles, o característico corre-corre e muito cansaço para as consumidoras. A pergunta recorrente, há tempos, é se o mercado está preparado para atender à altura a nova mulher. Seja casada, solteira ou divorciada, ela sabe o que quer, tem dinheiro para gastar, mas vive extensa agenda de compromissos e dispõe de pouco tempo.

Pesquisa da Sophia Mind, empresa do Grupo Bolsa de Mulher, comprova que empresas de todos os segmentos estão longe de entender as prioridades do público feminino com relação a questões como consumo, finanças, matrimônio, filhos, carreira e uso da internet.

O livro Poderosas consumidoras: o que quer e pensa a nova mulher brasileira, resultado de estudo com mais de 14 mil mulheres de todas as regiões do país, mostrou que o público feminino é responsável por 66% de todo o consumo da família ? contra 34% dos homens ? e movimenta R$ 1,3 trilhão em bens. O Brasil é o 10º mercado do mundo e está em expansão. Apesar desse potencial, 89% delas estão insatisfeitas. Entre as maiores reclamações, destacam-se as relacionadas a serviços financeiros (28%), atrás apenas de planos de saúde (38%) e fitness (cuidados com o corpo, 29%).

Bruno Maletta, um dos autores do livro escrito em parceria com Andiara Petterle, explicou que o Poderosas consumidoras é um alerta para que sejam revistas as estratégias de comunicação. “Hoje, 35% dos domicílios têm mulheres como chefe de família. Há 15 anos, eram só 22%. A mulher desempenha muitos papéis e espera cada vez mais serviços que facilitem a sua vida”, assegurou.

A aposentada Rodolfina Queiróz, 62 anos, é um exemplo da nova mulher contemporânea. Casou-se aos 38 anos. Já tinha toda a infraestrutura para viver com dignidade.

? Uma mulher só é independente quando sobrevive com seus recursos ? afirmou. Rodolfina entende que um bom planejamento familiar é a melhor forma de não gastar mais do que pode no Natal. ? O que atrapalha é a falta de tempo, um assunto para reflexão, principalmente, em Brasília. Quem trabalha, está disponível depois das 19h30. Se cuidar de criança, chegará ao shopping ou supermercado por volta das 21h. E tudo por aqui, fecha, no máximo, às 23h. Onde está a atenção às necessidades femininas? ? questionou.

Aos 70 anos, Maria Amália de Faria de Sá Barreto disse que sempre foi “dondoca”. Por 33 anos ajudou o marido dentista. Viúva há 18 anos, agora administra o orçamento doméstico, contrata empregadas e ajuda a única filha, psicóloga, nas tarefas.

? Tive todas as facilidades. Mas, se minha filha pretendesse organizar a casa e o consultório, ia faltar tempo ? argumentou.

Tânia Medeiros, 46 anos, três filhos, também não trabalha, mas tem orçamento mais restrito. Apesar disso, opina em tudo, até na compra do carro, item onde, segundo o Poderosas consumidoras, as mulheres ainda têm controle menor (43%).

Falhas frequentes
O mercado financeiro é um dos líderes em reclamações entre as mulheres que investem. O motivo é a “falta de serviços e de produtos com foco na confiança de que não serão enganadas”, aponta a pesquisa. Os seis maiores bancos consultados (Banco do Brasil, Caixa, Santander, Itaú, Bradesco e HSBC) não tinham produtos recentes dedicados à mulher, à exceção de uns poucos planos de previdência – enquanto o estudo revela que “a poupança é a modalidade de investimento mais usada pelas mulheres”, principalmente entre as de classes mais baixas (85% delas).

A insatisfação também é clara quando se trata de automóveis: apenas 8% das entrevistadas não se queixam dos serviços prestados.

A tecnologia também entrou definitivamente na vida da nova mulher. Entre os produtos preferidos, o celular (88%) está em primeiro lugar, além da câmera fotográfica digital (75%) e dos aparelhos de reprodução musical (61%). A fabricante LG, segundo a gerente de marca, Elaine Ishibashi, há oito anos, vem ampliando o leque de opções. De televisões e monitores, passou a fabricar linha completa para cozinha, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Com isso, espera um incremento de 5% nas vendas. “A grande sacada é ter produtos para diferentes nichos. Para a mulher, por exemplo, temos até uma TV cor-de-rosa”, destacou.

Mas a pesquisa revela que não basta apenas “pintar de cor-de-rosa”, é preciso qualidade e atenção à mudança de perfil de consumo. “Acreditamos no poder de decisão da mulher. É ela que pesquisa preço, negocia descontos e aproveita mais as opções”, destacou Elaine. A gerente da LG ressaltou que já é comprovado que quem mais lê os manuais são as mulheres das classes C, D e E, estreantes no mercado do consumo.

? Porque querem tirar o máximo de proveito de tudo ? acentuou.

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