Pesquisa revela que 55% dos brasileiros conhecem casos de agressões familiares contra a mulher

Estudo investigou o que a população do país pensa sobre a violência doméstica

Sociedade já não aceita mais conviver com a violência doméstica, segundo o estudo
Sociedade já não aceita mais conviver com a violência doméstica, segundo o estudo Foto: Divulgação, stock.xchng

A Pesquisa Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil, realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Ibope, comprovou que a sociedade já não aceita mais conviver com a violência doméstica e está atenta às políticas públicas voltadas para este assunto. A agressão contra a mulher é mais reconhecida, já que 55% dos brasileiros afirmam conhecer uma mulher que sofreu ou sofre agressões de seu parceiro. Para 56% dos entrevistados, a violência doméstica contra a mulher é o problema que mais preocupa as brasileiras.

O estudo  foi realizada entre os dias 13 a 17 de fevereiro último, com 2002 entrevistados, em cidades com mais de 20 mil habitantes e capitais. O objetivo foi buscar o pensamento atual do brasileiro em relação ao tema. O conhecimento sobre a Lei Maria da Penha aumentou de 68% (2008) para 78% (2009). Na prática, ainda é muito alto o número dos que não acreditam na proteção jurídica e policial à mulher vítima de agressão.

Quando perguntados sobre a razão de a mulher agredida continuar a relação com o agressor, 24% dos entrevistados acham que isso acontece por falta de condições econômicas, 23% atribuem à preocupação com a criação dos filhos e 17% pensam que a relação não é desfeita porque a mulher tem medo de ser morta.

A pesquisa revela, ainda, que 39% dos entrevistados disseram ter tomado alguma atitude colaborativa quando soube de uma mulher que sofre ou sofreu agressões. O índice indica que um número importante considera a violência doméstica um problema público, não simplesmente uma “briga de casal”, e essa atitude pode ser explicada pelo maior conhecimento da Lei Maria da Penha.

Para 40% das pessoas a mulher pode confiar na proteção jurídica e policial. Quando questionados sobre a Lei Maria da Penha, 44% acreditam que ela surte efeito, enquanto 14% acham que as leis não são e não serão cumpridas. Outros 56% consideram que a mulher não pode confiar na proteção jurídica e policial que existe no Brasil para não ser vítima da violência doméstica.

A opinião de 36% dos entrevistados é a de que a violência contra a mulher ocorre por uma questão cultural: “o homem brasileiro é muito violento” e “muito homem ainda se acha dono da mulher”. Para 48%, o exemplo dos pais aos filhos pode prevenir violência na relação entre homens e mulheres.

A pesquisa também mostra que para 51% a prisão do agressor é mais eficiente e 11% defendem a participação em grupos de re-educação como melhor medida jurídica.

Sobre a pequisa

Período: A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 2009.
Amostra: Foram realizadas 2.002 entrevistas em 142 municípios brasileiros.
Margem de erro: É de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

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