Pesquisador paulista resgata história das figurinhas

Paulo Cezar Goulart foi um dos pioneiros em registros literários sobre o tema no país

Figurinhas com artistas de cinema faziam sucesso
Figurinhas com artistas de cinema faziam sucesso Foto: Reprodução

A história das figurinhas foi o tema da pesquisa de mestrado do paulista Paulo Cezar Goulart. Aos 57 anos e hoje à frente de uma editora na cidade de Vargem Grande Paulista, ele ainda lembra de detalhes do trabalho que realizou entre 1981 e 1989, na Escola de Comunicações da Universidade de São Paulo.

Depois de falar com colecionadores, fazer pesquisas no Arquivo Nacional, colher depoimentos de antigos fabricantes, Goulart se orgulha de dizer que foi um dos pioneiros em registros literários sobre o tema no Brasil.

Os primeiros registros de figurinhas são da Europa, por volta de 1870. Assim como no Velho Continente, elas surgiram no Brasil distribuídas em maços de cigarro, mas 20 anos mais tarde. Faziam parte de uma estratégia de marketing de uma indústria em processo de consolidação, que tentava se firmar no mercado.

As figurinhas se adaptavam bem à embalagem dos cigarros e criavam uma expectativa em relação ao produto. Os temas eram personalidades de política, literatura, ciências, cinema, circo e cabaré.

 Confira a galeria de foto de figurinhas históricas 

Trajetória das figurinhas

? Entre 1895 e 1910, as figurinhas se consolidam como as precursoras das promoções do tipo achou ganhou, com o lançamento da Vale Para Brindes, que podia ser trocada por vários pequenos presentinhos.

? Entre 1920 e 1940 foi a vez das figurinhas que vinham em balas. A temática passou a ser personagens especialmente criados, como o Pequeno Polegar e Rádio Patrulha, em cenas do cotidiano. É nesta fase que começam a surgir as figurinhas de jogadores de futebol, em 1922, nas balas Americanas.

? Em 1926 foi lançada uma das coleções que duraram mais tempo no Brasil. As figurinhas que vinham dentro dos sabonetes Eucalol foram lançadas em mais de 300 séries, cada uma com 6 a 12 figurinhas, até 1957.

? As figurinhas eram colecionadas em pequenas caixinhas ou na própria carteira. Foi só em 1934 que o primeiro álbum foi lançado: das balas A Hollandeza.

? Outra bem-sucedida empreitada foram as Balas Futebol, que a partir de 1937 inovaram dando prêmios para quem completasse os álbuns.

? Na década de 1950, a figurinha deixa de ser um brinde e passa a ser vendida. Os álbuns ficam maiores, e as editoras oferecem a possibilidade de vender até 10 figurinhas para quem não conseguisse completar uma coleção.

? A editora Abril promoveu outra inovação importante ao lançar as primeiras figurinhas adesivas, em 1979, com a coleção Amar É. Também foi a primeira coleção com temática de ilustração e voltadas especificamente para o público infantil feminino. As figurinhas Amar É se tornaram ponto de partida para outros produtos, como cadernos, agendas e bolsas.

:: Curiosidades

? O primeiro álbum de que se tem notícia no Brasil, 60 Bandeirinhas, é de 1906 ou 1908. A data não é considerada pontapé inicial dos álbuns porque não houve continuidade, com espaço de cerca de 30 anos entre o primeiro e o segundo exemplares.

? Dentre as famosas “figurinhas difíceis”, a mais conhecida é a Clasel do Ar, do álbum das Balas Hollandeza.

? Quando os álbuns completos passaram a render brindes, não era raro que uma ou duas figurinhas específicas sumissem do mercado. Um certo empresário teve de imprimir alguns exemplares às pressas como forma de provar para o juiz que a figurinha existia e que não haveria má-fé da empresa.

? O então presidente Jânio Quadros proibiu, em 1961, a produção de figurinhas associadas à distribuição de brindes.

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