Pesquisadores descobrem que hormônio feminino influencia a audição das mulheres

Dificuldades entre casais podem ser atribuidas a diferença na capacidade de ouvir

Gripe A muda rotinas em todo o mundo
Gripe A muda rotinas em todo o mundo Foto: Charles Guerra

Liderado por um cientista brasileiro, um grupo da Universidade de Rochester, em Nova York, demonstrou, pela primeira vez, a relação direta entre o hormônio sexual feminino estradiol e a audição no cérebro. A curto prazo, o estudo abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para problemas de audição que, agora se sabe, não estariam ligados ao ouvido. Mas também levanta intrigantes questões comportamentais.

O trabalho confirmou que o sexo masculino ouve menos porque seu nível de estradiol é mais baixo. E ainda que variações hormonais, como as que ocorrem no ciclo menstrual feminino, também interferem diretamente na audição. Ou seja, homens ouviriam pior o tempo todo e mulheres na TPM tenderiam a escutar menos.

– As mulheres têm um processamento auditivo muito melhor  – contou o neurocientista Raphael Pinaud, coordenador do trabalho.

Embora tais variações não sejam muito grandes, a pergunta, ainda que simbólica, é inevitável: seria o diálogo entre casais sempre tão complicado porque, na verdade, trata-se de uma conversa de surdos? Ou, ao menos, com a audição reduzida?

– Pode ser por isso que não há acordo. Várias mulheres me mandaram e-mails dizendo “agora entendo por que o meu marido não me escuta” – brincou o cientista, diretor do Laboratório de Plasticidade Sensorial e Aprendizado da universidade americana. – Mas elas ouvem menos na TPM. Se medirmos os níveis de estrogênio no sangue da mulher ao longo do seu ciclo, veremos que ele aumenta e diminui em sincronia com a função auditiva.

A capacidade auditiva superior da mulher e as variações medidas ao longo de seu ciclo já eram conhecidas, mas não diretamente relacionadas ao estradiol. Este foi um dos fatores que levaram Pinaud a buscar confirmar a relação direta do hormônio sexual com a audição.

Já se sabia também que mulheres submetidas à extração de ovários – ou seja, com baixos níveis de hormônio sexual – também desenvolvem problemas auditivos. Problemas esses que costumam regredir com a terapia de reposição hormonal.

Outro indicativo eram os problemas de audição (entre muitos outros) registrados em pessoas que sofrem de síndrome de Turner, caracterizada por níveis muito baixos de estrogênio.

– Apesar de todos esses indicativos, nunca havia se associado o estrogênio de maneira direta à função auditiva – afirmou Pinaud. – E mesmo os cientistas que defendiam a ação do hormônio na função, achavam que ela se dava no ouvido, não no cérebro.

O estudo do grupo de Pinaud, publicado na “Journal of Neuroscience”, mostra o efeito direto do estradiol no cérebro, regulando a eficiência do processamento da informação auditiva. A pesquisa foi feita com o estradiol, um dos três estrogênios (os outros dois são o estriol e a estrona). O estradiol é o hormônio sexual por excelência, ligado à puberdade, à reprodução, a caracteres sexuais e, agora também, à audição.

A conclusão dos pesquisadores tem um efeito direto e imediato nos tratamentos para perda auditiva. Se, como ficou comprovado, o estrogênio contribui diretamente para a função, a perda da audição pode ocorrer inteiramente no cérebro, sem passar pelo ouvido.

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna