Pesquisas identificam proteínas no câncer de mama avançado

Intenção é indicar caminhos que podem levar a melhorar a eficiência da quimioterapia

Trabalhar com pesos excessivamente elevados não é a única possibilidade para adquirir definição muscular
Trabalhar com pesos excessivamente elevados não é a única possibilidade para adquirir definição muscular Foto: Stock Photos

Estudos divulgados nessa semana pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, abrem perspectivas para se conhecer a evolução do câncer de mama e, ainda, indicam caminhos que podem levar a melhorar a eficiência da quimioterapia e, assim, a resposta ao tratamento.

Os relatórios investigaram a expressão, ou seja, a presença de duas proteínas, a HIF-1-alfa (fator induzível por hipóxia-1-alfa) e a VEGF-C (fator de crescimento endotelial vascular), em mulheres com câncer de mama localmente avançado. Segundo os pesquisadores, Luiz Gustavo Brito e Viviane Schiavon, verificou-se que o primeiro teve prevalência de 66% e o segundo de 63%.

Enquanto o HIF-1-alfa esteve mais intenso, ou seja, apareceu mais em mulheres com axila comprometida pelo câncer, o VEGF esteve mais presente naquelas que fizeram quimioterapia e cuja resposta foi boa.

? Isso quer dizer que quanto mais agressivo era o câncer, mas presente o HIF-1-alfa estava, enquanto o VEGF está relacionado a resposta ao tratamento nessas mulheres ? explica Brito.

Para os pesquisadores futuramente, o HIF-1-alfa poderá ser usado como marcador que dirá qual vai ser o prognóstico da mulher com câncer de mama, ou seja, como será a sua evolução. Já o VEGF-C terá um papel importante nas mulheres que farão quimioterapia.

? A quimioterapia funcionou melhor nas pacientes cujo tumor expressou o VEGF, o que sugere que o tumor, ao aumentar a produção de vasos por esta proteína, aumenta a chegada da droga até o leito, matando essas células ? diz Viviane.

Os pesquisadores trabalharam somente com mulheres com câncer localmente avançado e metastático.

? Ao contrário dos países desenvolvidos, onde as mulheres descobrem o câncer precocemente, no Brasil, por exemplo, devido ao retardo no diagnóstico, os tratamentos são feitos em estágios mais avançados da doença, às vezes sem cura. Todas as mulheres pesquisadas já haviam se submetido à quimioterapia e cirurgia ? completa a especialista.

O HIF-1-alfa é uma proteína descoberta recentemente e ainda pouco conhecida da ciência. Brito diz que pesquisas já têm mostrado que futuramente ela será utilizada para saber qual o perfil do câncer de mama da paciente, se é agressivo o não.

? Aí é que entra nossa contribuição. Cada vez mais o tratamento do câncer de mama é individualizado, baseado no comportamento tumoral específico daquela paciente ? diz.

Já Viviane, responsável pela investigação do VEGF-C, adianta que essa proteína já é estudada há mais de 50 anos.

? Mas estudos com grupo de mulheres com câncer de mama localmente avançado são poucos e menos ainda aqueles que mostram o seu comportamento, mas ela só deverá ser utilizada como marcador futuramente para predizer uma boa resposta à quimioterapia, assim como pelo uso de drogas que bloqueiem sua ação ? resume.

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