Péssimos hábitos aumentam número de infartos entre jovens

Foto: Divulgação

Cardiologistas atribuem o aumento no número de jovens infartados, observado nos últimos anos, à má qualidade de vida nessa faixa etária, ao uso frequente de drogas, principalmente de cocaína, e à precisão do diagnóstico.

– A literatura diz isso, e observamos na prática. Está relacionado a fatores como estresse, sedentarismo, obesidade, diabetes, tabagismo – diz o cardiologista César Jardim.

A cocaína favorece a formação de coágulos (que podem bloquear a passagem de sangue para o coração), leva a contração das artérias e acelera o processo de aterosclerose.

– O abuso de drogas leva a maiores complicações cardíacas mais precocemente – completa o cardiologista Edson Stefanini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Geralmente o infarto em alguém com menos de 40 anos vem acompanhado de fatores de risco, dizem os especialistas. A atriz americana Brittany Murphy, no mês passado, morreu de infarto fulminante aos 32 anos. De acordo com agências internacionais, a atriz era viciada em analgésicos. Suspeita-se de que o uso abusivo de hidrocodona, um tipo de opioide, com paracetamol poderia ter causado a parada cardíaca.

Segundo o psiquiatra Marcelo Niel, a hidrocodona não é comercializada no Brasil, mas há outros opioides disponíveis, como a codeína, a dolantina e o cloridrato de tramadol, com efeitos semelhantes.

– São drogas de uso controlado, mas podem ser encontradas no mercado negro. Como têm efeito depressor do sistema nervoso, o uso abusivo pode levar a uma parada respiratória seguida por parada cardíaca. A pressão sanguínea cai, há redução no número de batimentos, não chega sangue o suficiente ao coração e ele para – alerta.

O infarto ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo nas coronárias (artérias que irrigam o coração) por causa de um bloqueio nesses vasos. Parte do músculo cardíaco pode sofrer necrose por falta de oxigênio.

> Para Ari Timerman, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), infartos costumam ser mais fatais em jovens por características do sistema cardiovascular. Idosos com doenças nas coronárias vão desenvolvendo uma circulação colateral (mais vasos periféricos) para suprir a irrigação sanguínea na região do coração. Assim, caso haja a obstrução de uma artéria, os outros vasos sanguíneos podem manter a oxigenação do coração.

> Outros fatores podem justificar o problema. De acordo com o cardiologista César Jardim, há casos de infarto mais agressivo e fulminante em jovens primeiro porque ele não imagina que está tendo um infarto, então demora mais para ter o diagnóstico, porque leva mais tempo para procurar auxílio.

> Pelo mesmo motivo, as mulheres morrem de infarto com mais frequência ainda que os homens infartem três vezes mais. Por elas acharem que essa situação ocorre mais em homens, acabam postergando o diagnóstico.

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