Piercing e tatoo: Bela e na moda, sim, mas com saúde

Fazer uma tatuagem ou colocar um piercing exige cuidados especiais

Quem tem problemas de cicatrização ou distúrbios de pigmentação deve ter mais atenção
Quem tem problemas de cicatrização ou distúrbios de pigmentação deve ter mais atenção Foto: Adriana Franciosi

O professor Tiago Lacerda Oliveira, 24 anos, há muito quer fazer uma tatuagem. Porém, o desejo sempre foi barrado por um empecilho. Ele sofre de vitiligo e, como qualquer outro problema de pele, necessita cuidado especial na hora de uma intervenção. “Só discuti com minha dermatologista sobre o tratamento do vitiligo. Agora, pretendo conversar sobre a possibilidade de uma tatuagem. Sei que é uma decisão séria.”

As tatuagens, assim como os piercings, deixaram de ser apenas demonstrações de rebeldia, popularizaram-se e saíram dos guetos. Contudo, muita gente ainda acha que basta uma agulha e tinta para gravá-la. A realidade, porém, não é tão simples assim.

“Se vejo uma mancha de nascença, cicratriz, micose ou qualquer alteração na pele, só tatuo com uma autorização do dermatologista. É uma forma de garantir a qualidade do meu trabalho e a saúde do cliente”, diz o tatuador Lico. Há 18 anos no ramo, ele explica que o aval médico é imprescindível, já que a tatuagem pode esconder uma marca de pele com indícios de câncer, por exemplo, se o caso for sério.

Lico garante, entretanto, que esse cuidado não é usual entre outros profissionais da área. Segundo ele, 80% dos tatuadores não se preocupam em saber o histórico da pele dos clientes. A atitude de Lico é celebrada pelos dermatologistas.

De acordo com o médico Alexandre Filippo, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, muitas pessoas têm distúrbios de cicatrização que só serão descobertos depois de feito o desenho. “Nesse caso, deve-se evitar a tatuagem. Pessoas com alergia aos corantes das tintas também. Essas últimas, inclusive, podem até desenvolver uma alergia crônica”, alerta. A cor da pele só é relevante no caso de arrependimento, segundo o médico. “A pele negra tem mais melanina, o que dificulta a retirada com laser.”

Quanto ao vitiligo e quaisquer outros distúrbios de pigmentação, Filippo avisa que é indispensável um teste dermatológico antes da decisão. “Não é contraindicado, mas o paciente deve conhecer a situação da própria pele.” Alguns têm sorte e, mesmo apresentando algum problema, conseguem obter um resultado desejável.

Foi o caso da servidora pública Mariana Carpanezzi, 30 anos. A borda da estrela que fez nas costas foi desenhada com uma agulha mais fina que a do preenchimento e ela desenvolveu queloide. “As pessoas acham que foi proposital, porque o efeito ficou bonito. Mas nunca vai melhorar.” Mariana diz que o resultado a agradou e que não tem qualquer receio de fazer uma nova. “Gosto dela assim. E a culpa não foi do tatuador, já que eu nunca havia tido queloide. Foi algo que aconteceu.”

No caso de Mariana, os tatuadores que a atenderam foram atenciosos ao alertar sobre os cuidados necessários. Porém, muitos clientes não gostam de ouvir que precisam de exames médicos para ganhar uma tatuagem ou um piercing. “Só 15% daqueles para quem peço autorização do dermatologista voltam”, afirma Lico.

A psicóloga Theresa Lins, 48 anos, não teve problemas em levar o exame dermatológico. Com dois desenhos gravados no corpo, ela quis um terceiro que cobrisse uma mancha de nascença. “Não que eu tenha problemas com ela, apenas achei que seria um bom local para uma nova. A minha dermatologista já havia me dito que poderia fazer, mas gostei da atitude do profissional.”

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