Pílula do dia seguinte não deve ser banalizada

Recurso emergencial tem alta dose hormonal

Foto: Ricardo Chaves, BD ZH

Medicamento de emergência e não método contraceptivo. É importante ter consciência da função da  pílula do dia seguinte para evitar seu uso indevido e constante. Muitas mulheres abusam desse tipo de medicamento, que tem dose hormonal alta. A pílula do dia seguinte é indicada apenas para aquelas situações onde ocorreu a falha de outro método contraceptivo durante a relação sexual ou quando ela foi desprotegida.

– Apesar de não ter contraindicação, a pílula do dia seguinte deve ser ingerida somente em ocasiões de emergência e nunca como um método contraceptivo convencional, pois seu uso frequente pode alterar o ciclo menstrual – alerta a médica Rosa Maria Neme.

É importante também lembrar que a pílula pode causar alguns efeitos colaterais:

– A dose hormonal bem alta no organismo pode causar efeitos colaterais como dor de cabeça, náuseas, inchaço e alterações do ciclo menstrual, que podem resultar em aumento ou diminuição do fluxo menstrual. Ela também pode atrasar o fluxo menstrual, o que leva muitas mulheres a acreditar que engravidaram – alerta Miriam Felício Fernandes, ginecologista.

Na comparação, a dose hormonal contida na dose única equivale a cinco ou seis comprimidos de pílula convencional.

Nas primeiras 12 horas, a pílula tem eficácia de cerca de 95%, mas à medida que o tempo passa, essa percentagem diminui, chegando a aproximadamente 50% em torno do terceiro dia após a relação.

Alguns médicos ainda alertam para a possibilidade de que a pílula diminua a sua eficácia caso seja usada com frequência.

– Esse assunto é controverso. Mas existem estudos que dizem que ela pode diminuir sua eficácia se usada em excesso – afirmou Miriam.

As dúvidas mais frequentes

Qual a composição deste medicamento?
A pílula do dia seguinte é composta apenas de progesterona, o levonorgestrel. Ela é considerada mais potente, porque possui maior concentração do hormônio quando comparada a uma pílula tomada diariamente.

Como ela atua sobre o organismo e quais são os efeitos colaterais?
A ação da progesterona é tornar o endométrio um ambiente inóspito para a implantação do embrião. Como efeito colateral, pode provocar enjoo, mal-estar e dor de cabeça.

A pílula do dia seguinte é eficaz?
Idealmente ela deve ser tomada até 24 horas da relação desprotegida para garantir uma eficácia adequada. Mas, pode eventualmente ser tomada até 72 horas após a relação. Os riscos de gravidez existem e também pode ocasionar irregularidade menstrual. Por esta razão, não deve ser tomada sempre.

É possível evitar a gravidez com ela?
A pílula do dia seguinte possui uma efetividade de quase 94% se tomada nas primeiras 24 horas, após a relação sexual desprotegida ou acidental.

Ela tem sido usada por muitos jovens como método regular de contracepção, não emergencial. Qual é o risco desse procedimento?
O grande risco é desregular todo o ciclo hormonal. Essa pílula apresenta uma dose alta de hormônio e, se usada de forma não emergencial, pode causar sintomas como irregularidade menstrual importante, além de efeitos desconfortáveis na pele, como acne e aumento de oleosidade, por exemplo.

É perigoso adotar a pílula do dia seguinte como a única forma de evitar a gravidez e as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis)? Por quê? O que o uso frequente da pílula do dia seguinte pode causar?
Claro. Ela não previne contra DSTs. Usá-la como método para evitar a gravidez vai causar um desequilíbrio hormonal significativo no organismo feminino. Ela pode ser conciliada esporadicamente com outros métodos, mas, se usada com freqüência, pode causar retenção hídrica, aumento da oleosidade da pele, entre outros sintomas.

Fonte: Dra. Rosa Maria Neme, doutora em Medicina pela USP e diretora do Centro de Endometriose São Paulo

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