Pílula do dia seguinte só em caso de emergência

Altas doses de hormônio no organismo ainda têm efeito desconhecido

Pílula de emergência é composta por dois comprimidos
Pílula de emergência é composta por dois comprimidos Foto: Divulgação, Agência O Globo

Se a camisinha estourou ou o anticoncepcional ficou esquecido na gaveta, uma opção para evitar uma gravidez indesejável pode ser a pílula do dia seguinte, um comprimido de emergência que só deve ser usado em situações excepcionais. Tomada até 24 horas após a relação sexual, a pílula evita a fecundação do óvulo em até 98% dos casos.

A ginecologista Simone Nogueira  explica que a pílula do dia seguinte não deve ser usada como um método contraceptivo, e não pode ser ingerida de forma corriqueira. Como o método consiste na ingestão de altas doses de hormônios como estrogênio e progesterona, não se sabe os efeitos do medicamento a longo prazo no aparelho reprodutor.

– Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a pílula do dia seguinte não é abortiva. Os hormônios contidos no medicamento impedem que o corpo se prepare para uma possível gravidez. Ou seja, o movimento das trompas fica mais lento, impedindo que o espermatozoide chegue ao óvulo, e modifica o endométrio, que não fica espesso o suficiente para que o óvulo ser implantado – explica a ginecologista.

Esta pílula é contra-indicada para mulheres hipertensas ou com histórico de problemas cardiovasculares ou no fígado, alerta a ginecologista Maria Cecília Erthal. Ela deve ser comprada apenas com receita médica e pode causar enjoos, vômitos e dores de cabeça.

– Há três formas de tomar a pílula do dia seguinte. A primeira, que indico apenas para mulheres que estão em lugares mais remotos e não têm como falar com o ginecologista, é tomar doses mais altas da pílula comum. Não pode ser qualquer pílula, por isso, é importante conversar com o médico antes de usar o método. Os dois outros são os comprimidos de emergência, que podem ser tomados de duas maneiras: em duas doses, uma a cada 12 horas, ou em uma única dose mais forte – diz Simone.

Ela frisa que apesar da polêmica, o medicamento é relativamente seguro. Porém, a pílula nunca deve ser tomada se já existe uma suspeita de gravidez. Como o medicamento não tem efeito abortivo, o feto resiste a enxurrada de hormônios, mas os efeitos colaterais no bebê ainda são pouco conhecidos.

– O aborto é a terceira causa de morte entre mulheres grávidas justamente porque usam métodos clandestinos. Mais vale um contraceptivo de emergência tomado na hora certa do que um aborto provocado mais tarde – afirma.

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