Pílulas que prometem emagrecimento rápido podem ser bombas para o organismo

Dormir gordo e acordar magro é o sonho de muita gente que luta contra o excesso de peso. Soluções mágicas não existem

Mais de 1,6 milhão de brasileiros, a maioria mulheres, já fizeram uso de alguma fórmula para emagrecer
Mais de 1,6 milhão de brasileiros, a maioria mulheres, já fizeram uso de alguma fórmula para emagrecer Foto: Divulgação

No país em que 41% da população está acima do peso ideal, os remédios para emagrecer são uma tentação tão grande que 1,6 milhão de brasileiros, a maioria mulheres, já fizeram uso de alguma fórmula para acabar com a fome e eliminar os quilos extras rapidinho. O problema é que existem riscos em apostar nessas pílulas ditas milagrosas. Um dos perigos é recuperar o peso perdido e engordar outros mais após o tratamento.

Na prática médica, não existe consenso sobre o uso de drogas antiobesidade. A principal recomendação é de que sejam prescritas apenas quando o excesso de peso adiciona risco à saúde do paciente ou é responsável por alguma doença associada, como diabetes. Entretanto, muitos apelam para o recurso quando estão sete, oito quilos acima do ideal. Não por nada, o Brasil é campeão mundial no consumo de anfetaminas (remédios tarja preta), segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Quem não conhece uma amiga que já tomou inibidores de apetite, ou um médico que tem uma receita infalível para emagrecer?

O problema é que esses medicamentos, além de reduzirem a fome, provocam dependência química e podem levar à morte. São comuns reações desagradáveis como tremedeira, taquicardia, insônia, hipertensão e boca seca, entre outros. Mais: tão rápido quanto emagrecer à base dos também chamados anorexígenos é voltar a engordar. Cerca de 95% das pessoas recuperam o peso perdido e alguns quilos a mais, segundo Ricardo Cohen e Maria Rosária Cunha, autores do livro Obesidade, da Publifolha. O endocrinologista Fernando Menegat Kuhn, coordenador da Unidade Endócrino-Nutricional da Faculdade de Medicina da Universidade de Caxias do Sul (UCS), explica o porquê:

– Os anorexígenos são remédios considerados, atualmente, de segunda linha para o tratamento de obesidade. Ao fim do uso, o apetite volta, o que facilita o reganho de peso. Mas esse efeito sanfona também pode ocorrer com pessoas que emagrecem com re-educação alimentar e atividade física e, depois de um tempo, voltam aos hábitos antigos.

O psiquiatra Adriano Segal, diretor de Psiquiatria e Transtornos Alimentares da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), faz uma análise semelhante à de Kuhn.

– A obesidade é uma doença crônica. Tal como hipertensão e diabetes, parou de tratar, ela volta. Com acompanhamento adequado, os tarjas pretas podem ser usados por alguns pacientes, mas é fundamental modificar o estilo de vida (alimentação e atividade física) a longo prazo. Não existe fim de tratamento para obesidade – alerta.

Um dado considerado preocupante é que metade das mulheres que fazem uso de remédios antiobesidade usam fórmulas manipuladas à base de derivados de anfetaminas com pelo menos mais quatro substâncias associadas, como diuréticos, hormônios de tireoide e antidepressivos. A prática é condenada pelo Conselho Federal de Medicina e por entidades como a Abeso.

– Essas receitas são verdadeiras bombas de efeito retardado. Podem provocar descompensações psicológicas, cardíacas e hormonais – informa Kuhn.

Esses remédios manipulados são considerados uma charlatanice porque há o risco de ter um disfunção na tireoide e, devido aos laxantes e diuréticos, o paciente não perde gordura, apenas água. Um alerta feito por especialistas como Segal, do Ambulatório de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital da Clínicas de São Paulo, é que as grandes oscilações de peso são mais nocivas à saúde do que um pequeno excesso de gordura. As marcas não ficam apenas na pele, com estrias e flacidez. O coração também pode sofrer as consequências.

Portanto, alimentar-se corretamente e se exercitar é o melhor caminho. Se o uso de remédios for necessário, é importante consultar um especialista com boas referências.

As drogas antiobesidade podem ser divididas em três grupos: aquelas que diminuem a ingestão de calorias, as que estimulam a queima calórica e as fórmulas que agem sobre a insulina:

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