Por que um casal não fala sobre o tratamento de reprodução assistida?

O que leva os casais a esconderem que tiveram ajuda da tecnologia para engravidar

Corpo feminino só amadurece cerca de 450 óvulos ao longo da vida
Corpo feminino só amadurece cerca de 450 óvulos ao longo da vida Foto: Divulgação, Stock.Xchng

É comum um casal revelar que está fazendo tratamento para engravidar, mas, após algumas tentativas frustradas, omitir o assunto.

– Eles temem ser pressionados demais – diz o ginecologia Joji Ueno.

Ueno conta que é comum observar casais que há anos sofrem por não engravidarem e por se sentirem pressionados por parentes e amigos, “situação que cria um grande mal estar. A cada nova inseminação que não vinga, o casal sente, novamente, o quanto a curiosidade alheia incomoda”, diz o médico, que também dirige o Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo.

Para estes casos, Joji Ueno recomenda que a melhor conduta é retomar o tratamento de fertilidade, sem alarde.

– É possível dividir dúvidas e angústias com o companheiro ou com um profissional especializado no atendimento psicológico a casais que enfrentam problemas para engravidar. A maioria das clínicas conta com esta estrutura multidisciplinar – diz o médico.

Por segurança e autopreservação, os casais que já passaram por vários procedimentos para engravidar só costumam revelar aos familiares e aos amigos “a boa nova”, depois que o ultra-som confirma a gravidez.

Segredos de família

Outro motivo que faz os casais esconderem a ajuda da ciência para engravidar é preservar a intimidade familiar.

– Por isso, não cabe julgar a preferência pelo anonimato. A decisão de contar ou não o modo como o filho foi concebido é, acima de tudo, pessoal. A reprodução assistida, embora seja condenada por muitos, não seja aceita por algumas religiões, não é um erro, não é uma atitude ilegal. Ninguém precisa se sentir culpado. Cabe apenas ao casal decidir os rumos que deseja dar a nova família que está em formação – assegura Joji Ueno.

Para facilitar este processo, aceitar a limitação do corpo para conceber naturalmente é o primeiro passo para diminuir o próprio preconceito contra os tratamentos que envolvem as técnicas de reprodução humana assistida.

– A infertilidade é um luto a ser elaborado. Se não houver aceitação desta condição, permanece o sentimento de impotência diante da concepção.

O segundo passo para lidar bem com o tratamento é informar-se sobre o assunto, pois a informação atenua a resistência ao que é novo.

– Trocar experiências com pessoas na mesma situação ajuda muito a compreender melhor o problema – recomenda o médico.

Fonte: Clínica Gera

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