Prática perigosa: colírio para fins estéticos pode prejudicar a saúde

Especialista esclarecem os riscos corridos por quem se aventura

Vaidade sem limites é vista com preocupação por especialistas
Vaidade sem limites é vista com preocupação por especialistas Foto: Jefferson Botega

Depois da cirurgia para mudar a cor da íris e do terrível “vodka eyeballing”, prática onde se pinga gotas de vodka no olho, outra prática perigosa está se disseminando. Na busca por cílios longos, escuros e espessos, muitas mulheres estão abusando da estética e prejudicando a própria saúde, usando colírios para glaucoma “como se fossem rímel”. O alerta é do diretor do Instituto de Moléstias Oculares (IMO), Virgílio Centurion.

O especialista afirma que, mesmo em pacientes que necessitem do produto para tratamento ocular, tanto os colírios anti-glaucomatosos quanto seus conservantes podem provocar também várias reações inflamatórias, induzindo alterações da superfície ocular, como olho seco.

? O tempo de administração, a concentração e o número de medicações utilizadas no tratamento do glaucoma dependem da severidade dos efeitos colaterais. A intolerância à medicação tópica leva muitas vezes à indicação de cirurgia antiglaucomatosa, que poderá ainda ser comprometida pelas inflamações causadas pelos medicamentos ? destaca Centurion.

Já o oftalmologista Ricardo Giacometti Machado, especialista no tratamento do glaucoma, que também integra o corpo clínico do IMO, destaca que o uso estético do produto pode trazer diversos problemas de saúde às mulheres.

? Dentre as principais reações ao uso de colírios anti-glaucomatosos estão alergia, vermelhidão ocular, lacrimejamento, irritação e inflamação sub-clínica, além de efeitos mais graves como a inflamação intra-ocular. Os colírios à base de análogos de prostaglandina alteram o metabolismo das proteínas estruturais dos olhos e podem interferir no uso de outros medicamentos para abaixar a PIO, o que pode mascarar o real aparecimento do glaucoma e prejudicar uma eventual cirurgia para tratar a moléstia ? revela.

Machado destaca também que a prática pode ter efeitos anti-estéticos.

? Em alguns casos, além de aumentar os cílios, esses medicamentos podem provocar a descoloração dos mesmos, os quais podem ficar totalmente brancos; pode haver crescimento de pêlos em outros locais tocados pelo medicamento e crescimento irregular dos cílios. A íris do usuário pode, ainda, ficar mais escura, principalmente a do usuário que tem a íris mais clara. O medicamento pode também causar hiperpigmentação da pele das pálpebras, causando olheiras e a reabsorção da gordura orbitária, dando a impressão de ‘olhos fundos’. Nem todos esses efeitos colaterais são reversíveis com a suspensão do uso do medicamento, diferentemente do efeito nos cílios, que voltarão ao seu tamanho original, após algum tempo de cessado o uso do produto ? ressalta.

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