Projeto de Helena Duncan fala sobre etiqueta na era das redes sociais

Jornalista Helena Duncan fala de projeto sobre etiqueta na era do supercompartilhamento via redes sociais

Jornalista lançou site com dicas de bons modos na web
Jornalista lançou site com dicas de bons modos na web Foto: Ana Colla

Jogue a primeira pedra quem nunca se incomodou com o comentário da tia na foto postada pelo seu colega de trabalho no Facebook. Ou quem nunca quis assassinar o amigo do Ensino Médio que acordou com vontade de publicar e marcar o seu nome, claro fotos do tempo do seu aparelho ortodôntico. Diante de mil e um episódios como esses e de poucas referências de pesquisa, a jornalista Helena Duncan percebeu que estava caindo de maduro falar de bons modos online. O projeto Etiqueta na Web começa com um site (etiquetanaweb.com) e perfis em redes sociais (www.facebook.com/EtiquetaNaWeb e @EtiquetaNaWeb, no Twitter) como hubs de informações e reflexões sobre o assunto.

A jornalista conversou com Donna sobre a iniciativa, que deve resultar em um livro até 2013, e conclui: não há mais espaço para ingenuidade na internet.

Donna -  Uma pessoa é, ao mesmo tempo, empregada, membro de uma família, integrante de um grupo de amigos… Como seguidores dessas áreas podem conviver em harmonia no seu perfil?

Helena Duncan - Tanto para quem posta quanto para quem comenta nos perfis alheios, é preciso acionar o bom senso até o último grau. Não tem jeito de se proteger de situações constrangedoras sem usar as políticas de privacidade, como filtrar as publicações por grupos ou sujeitar marcações de foto a sua autorização. Uma boa dica é agir sempre como se você fosse uma pessoa pública. Na prática, você é mesmo.

Donna - É justo ter um perfil pessoal monitorado pela empresa em que você trabalha?

Helena - Já não cabe avaliar se é questão de justiça. É fato que você será googlado antes da contratação e monitorado depois. E você é, sim, um multiplicador da imagem da sua empresa. O que precisa ficar é a reflexão de que, na internet, não cabe ingenuidade de nenhuma parte. Você pode adotar a postura do “não estou nem aí”, mas as consequências virão.

Donna - Dá para julgar uma pessoa exclusivamente pelo seu comportamento online?

Helena -  Muita gente age de forma diferente dentro e fora da web. Uma pessoa tímida, por exemplo, pode se sentir confortável e mostrar um lado descontraído na internet. Uma boa praça, um lado reclamão. Mas é sempre um lado dessa pessoa. O (psicanalista) Contardo Calligaris escreveu: as máscaras que usamos no Facebook são como as outras tantas que usamos na vida em outras situações.

Donna - Como dizer a um parente, especialmente aquele que não entende muito bem como a internet funciona, que os comentários dele estão te incomodando?

Helena - O melhor jeito é falar pessoalmente, para poder explicar com delicadeza. Seja delicado, educado, mas direto. Agora, é bom lembrar que, em diferentes níveis, esse problema você sempre vai ter. Então relaxe um pouco. A principal motivação das pessoas nas redes é entretenimento. Se você começar a se estressar, elas perdem a razão de ser.

Donna - Qual foi o efeito das redes sociais para as celebridades? Desceram do pedestal?

Helena - Algumas potencializaram a sua popularidade, mas o mundo ficou mais perigoso para elas. A imprensa de celebridades começou a se pautar muito pelas redes. Qualquer deslize, qualquer desabafo, vira uma notícia. É peculiar porque as pessoas costumam ser célebres apenas por um lado - a beleza, o desempenho em um esporte - nas redes sociais você conhece o outro.

Donna - Que tipo de mala mais te incomoda nas redes sociais?

Helena - Eu particularmente odeio os que compartilham frases feitas. Aquelas pílulas de sabedoria de um autor que elas nem leram, que provavelmente nem disse aquilo coisa nenhuma. Me incomoda também me marcarem em fotos. Aquela foto sua lá de 1913 (risos). Mesmo pessoas íntimas perguntam se podem postar uma foto comigo.

Donna - Como explicar ao Facebook que você não está mais interessado no ex-namorado(a), com quem falava diariamente?

Helena - É um problema, até porque há estatísticas que dizem o contrário. Nove em cada 10 (88%) espionam o perfil do ex no Facebook. Dois terços (74%) espionam a nova ou a possível nova namorada do ex. A conduta ideal depende muito do seu estilo e de como o relacionamento acabou. Para novos relacionamentos, algo a ter em mente é que, em determinado momento, você lidou com a sua ex nas redes sociais. Ela saberá, portanto, se você está interessado em alguém novo pelos seus comentários, pelas suas curtidas… É do jogo.

Donna - As próximas gerações terão acesso a redes sociais antes de ter maturidade para uma série de coisas. Elas lidarão melhor ou pior do que nós? Elas precisarão de um guia de etiqueta?

Helena - Creio que elas vão lidar com mais fluidez, será uma coisa do dia a dia. Mas, como para qualquer assunto, ter pessoas pensando a respeito é bom. Agora, é verdade: dou graças a Deus de não existir internet quando eu fui adolescente!

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