Quase 90% dos brasileiros que acessam a web procuram informações sobre problemas de saúde

Comunicadores instantâneos, VoIP e plataformas sociais ajudam na hora da consulta virtual com o médico

Em alguns países, médicos oferecem consultas online para os pacientes
Em alguns países, médicos oferecem consultas online para os pacientes Foto: Stock Photos

A cena está se tornando comum. O paciente chega em um consultório médico e, antes de o especialista falar, ele já começa a dizer todos os sintomas, apontar as soluções para a doença e, por vezes, ainda debater com o doutor, utilizando o argumento “pesquisei na internet e acho que é o caso de tomar outro remédio”.

Uma realidade que foi objeto de estudo. Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Ipso MORI, 86% dos brasileiros com acesso à internet utilizam a rede para buscar orientações sobre saúde, remédios e suas condições médicas. Percentual que coloca o país no quinto lugar no ranking do estudo, feito com 12 países (veja ao fim da reportagem).

A pesquisa revelou, ainda, que, dos 68% que buscam online informações sobre medicamentos, 45% procuram se informar sobre hospitais e 41% querem conhecer na internet experiências de outros pacientes com o mesmo problema de saúde.

? As pessoas conseguem conhecer mais sobre o corpo humano e as doenças e, assim, conversam de uma outra forma com os profissionais da saúde. Por outro lado, há muitas informações truncadas na rede que podem gerar problemas ? explica o médico Gustavo Gusso, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).

Consultas médicas pela internet, via Live Messenger e Skype, no Brasil, ainda parecem ser um pouco distantes, mas devem diminuir as longas esperas por atendimento.

? Isso sempre foi muito benéfico, o que não pode é substituir integralmente a consulta presencial. É importante que o médico saiba lidar com isso também. Alguns problemas de saúde, ou quando já conhecemos o paciente ou quando é apenas um retorno, não há problema nenhum utilizar esses métodos. É uma alternativa que tem que ser valorizada, sempre com alguns critérios ? afirma Gusso.

Nos Estados Unidos, por exemplo, fazer consultas pela internet é comum. Existem planos de saúde que oferecem médicos em tempo integral na rede. O paciente pode ligar o programa de VoIP e conversar sobre todos os sintomas com o especialista. Há até mesmo planos pré-pagos. Por US$ 35, o usuário tem direito a uma consulta. A receita médica é enviada pelos correios ou por e-mail.

O interesse por novas formas de interação também é grande. Mais da metade (55%) gostaria de usar a rede para marcar as consultas e 54% mostram interesse em receitas e em resultados de exames online.

? A tendência é de que o consumidor faça isso cada vez mais. Depois de pegar o laudo na internet, ele vai pesquisar. Isso pode trazer mais esclarecimentos para o paciente, além de tirar dúvidas com o médico ? afirma Lídia Abdalla, superintendente técnica do laboratório Sabin.

A empresa possui há 11 anos uma seção no site para que pacientes e médicos consultem o histórico dos exames de saúde.

Redes sociais
Apesar do conforto em não ter que sair de casa, não dá para confiar em todas as informações que se lê. De acordo com a pesquisa, apenas 25% das pessoas verificam as fontes das informações de saúde disponíveis online.

? Às vezes, problemas raros de são abordados na internet como se fossem comuns. Tem que haver informação do médico também”, ressalta Gusso da SBMFC.

Facebook, Orkut e até MySpace são fontes de informação nessa área para pessoas mais jovens. Quase 25% das pessoas entre 18 e 25 anos publicaram no perfil perguntas e comentários sobre o assunto, de acordo com a pesquisa.

RANKING
1º ? Rússia – 96%
2º ? China – 92%
3º ? Índia – 90%
4º ? México – 89%
5º ? Brasil – 86%
6º ? França – 59%

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna