Que tal sair para comer em casa?

Apostando em pratos caseiros, restaurantes agradam a clientes que não dispensam sabor e simplicidade

Comida simples e bem feita ajuda a manter o corpo em forma
Comida simples e bem feita ajuda a manter o corpo em forma Foto: Ricardo Wolffenbüttel

A simplicidade, às vezes, chama mais atenção do que a sofisticação, principalmente na hora do almoço, quando grande parte das pessoas quer mesmo é saborear um prato com jeito e gosto daqueles feitos em casa. Para quem precisa comer fora, mas não abre mão de uma refeição caseira, restaurantes da cidade apostam em receitas conhecidas, sem deixar de lado a preocupação com a qualidade dos ingredientes e os toques especiais que fazem a diferença.

Para o empresário Ayrton Ferreira, proprietário do Rosa’s Café, em Brasília (DF), o que mais caracteriza a cozinha caseira é o preparo em pouca quantidade, que garante maior qualidade à comida. Por isso, em seu restaurante, nada de panelas gigantescas para alimentar um batalhão. Ali, a comida preparada dá para, no máximo, 30 clientes. E, assim como em casa, quando acabou, não há possibilidade de repor. “Em família, o comum é fazer a quantidade certa para os integrantes, com a intenção de não sobrar. Fazemos o mesmo aqui. Dessa forma, servimos a comida sempre fresca”, explica. Para manter a fidelidade do cliente, o cardápio ainda muda toda semana. “Assim, ninguém enjoa.”

No almoço, são oferecidos dois pratos do dia e uma opção de grelhado, como bife acebolado, filé de sobrecoxa de frango e peixe. Os clientes podem se deliciar ainda com almôndegas com purê de batata, feijoada, moqueca e o básico omelete com arroz e feijão. Ferreira também diz que não abusa dos temperos, apostando no sal e na cebola e, em alguns casos, em ervas como manjericão, salsa e cebolinha. Além das opções caseiras, a casa serve pratos mais elaborados como nhoque pernambucano (massa de batata com molho de queijo de coalho e alho-porró) e espaguete à putanesca.

Provando que menos pode ser mais, o PF do restaurante Tête à Tête (DF) ganha em número de pedidos até de pratos rebuscados feitos com cordeiros e camarões. Responsável por aproximadamente 70% das vendas, a combinação sai da cozinha com banana e ovo fritos, tomate picado, feijão tropeiro, filé acebolado e arroz branco. A proprietária, Maria Tereza Valença, explica que o sucesso se dá pela busca dos clientes por um sabor caseiro. “Durante a semana, as pessoas querem algo simples. Foram os clientes que pediram um prato com ingredientes do dia a dia”, recorda.

Segundo Tereza, o processo de criação do PF passou por alterações, como, por exemplo, a adição do ovo e da banana. “E tem gente que troca o tropeiro por feijão no caldo”, diz. A casa serve ainda o picadinho de filé ou de frango (com milho na manteiga, arroz e farofa) e estrogonofe de frango e filé.

Já na Confraria Chico Mineiro, a ideia é unir pratos mais elaborados com receitas cotidianas. Uma das sócias, Carol Abe-Saber explica que os temperos são leves, e as carnes, cozidas com pouca gordura. “Como tem gente que come aqui todos os dias, temos que preparar pratos leves para o paladar diário”, conta. Entre as delícias, bife á milanesa, carne de panela, estrogonofe e pratos regionais como charque cozido, carne de panela e arrumadinho.

Mistura

A preocupação com os clientes é tanta que há restaurante servindo até mexido à noite. Na Cozinha das Minas (715 Norte), o prato, ali chamado de caol, é servido em panelinhas de ferro e com um detalhe especial: em vez de usar as sobras do dia, como é comum as pessoas fazerem em casa, todos os ingredientes são frescos. A dona do estabelecimento, Maria da Graça Alves, explica que cada item (arroz, ovo, linguiça de pernil apimentada, torresmo, feijão e couve) é preparado separadamente e misturados na hora de servir. “É um prato completo e muito saboroso, bem ao tipo caseiro”, descreve.

Na casa da Tia Zélia, comandada por Zélia Santos, a oferta é sempre por pratos verdadeiramente caseiros, impressão transmitida também pela decoração do salão, com mesas e televisores remetendo à sala de casa. Das caçarolas, que, segundo ela, são areadas e limpíssimas, saem carne assada e de panela com legume, frango cozido ou assado com linguiça, baião de dois, costelinha de porco e o famoso pernil de panela. “Foi esse prato que me fez conhecida em Brasília”, acredita.

O tempero da baiana de Buriti do Viana é tão saboroso que conquistou o estômago do ex-presidente Lula, que adorava saborear a rabada, o feijão tropeiro e o cuscuz da casa. “O Lula elogiava também o meu arroz soltinho, com gosto de alho. Zélia conta que aprendeu a cozinhar quando era empregada doméstica e que hoje não segue nenhuma receita. Mesmo preparando as delícias caseiras, há espaço no menu para pratos como o arroz de bacalhau e de pato, o vatapá e a carne seca com abóbora.

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