Radiação das câmaras de bronzeamento pode ser pior que o sol

Procedimento pode aumentar os riscos de câncer de pele, manchas, envelhecimento e queimaduras graves

DEstéticas devem obter um laudo comprovando a inspeção da câmara de bronzeamento artificial
DEstéticas devem obter um laudo comprovando a inspeção da câmara de bronzeamento artificial Foto: Fernando Gomes

Deitar-se nas câmaras de bronzeamento artificial pode trazer grandes perigos à saúde. Oferecido em salões de beleza e clínicas de estética, o procedimento é mais nocivo do que se expor à forte luz natural, na praia ou na piscina. É o que aponta pesquisa realizada pelo Grupo de Física das Radiações da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). De 40 aparelhos avaliados na Capital e no interior do Estado, 32 apresentavam radiação equivalente aos raios solares do meio-dia, um dos horários mais prejudiciais à pele.

Realizado entre 2006 e 2008, o estudo coloca sob suspeita o sol artificial, muito procurado com a proximidade do verão por quem quer chegar à estação com “aquela corzinha”. Desde os que exageram na dose da exposição nas câmaras até aqueles que não são tão assíduos no procedimento, mas nem por isso estão isentos de seus efeitos cumulativos, ninguém é poupado dos perigos que se escondem sob a fogueira das vaidades revestida de lâmpadas.

– Recorrer ao bronzeamento artificial não livra as pessoas de sofrerem problemas como câncer da pele, manchas, envelhecimento e até queimaduras graves. Pelo contrário, pode até aumentar esses riscos – adverte a dermatologista Taciana Dal’Forno Dini.

Exemplo disso ocorreu há um ano, no Rio, quando uma gaúcha de 34 anos sofreu queimaduras em 98% do corpo e ficou em coma ao se expor a duas sessões no equipamento em dias consecutivos. Ocorrências semelhantes, relacionadas às câmaras e à saúde dermatológica, preocupam a Sociedade Brasileira de Dermatologia, que desaprova os equipamentos.

– Sessões de bronzeamento artificial têm sido feitas indiscriminadamente e sem controle. Trata-se de um problema grave, que deixa a classe médica aflita sobre os efeitos que a moda das câmaras possa causar na saúde dos brasileiros. A fiscalização é imprescindível, e as pessoas também devem ser conscientizadas sobre o risco que correm – frisa Raquel Heidrich, vice-presidente da seccional gaúcha da entidade.

Dentro das câmaras, que são cerca de 500 na Capital, as dezenas de lâmpadas de 80 a 400 watts de potência – cuja luminosidade estimula a produção de melanina, hormônio responsável pela coloração da pele – ofuscam justamente um dos principais perigos do recurso estético. Como no bronzeamento artificial não há radiação infravermelha, que dá a sensação de queimor, as pessoas se submetem ao bronzeamento sem perceber o exagero.

– A câmara só emite radiação ultravioleta A, responsável pelo bronzeamento da pele, e não tem emissão de radiação ultravioleta B, que é o que dá a sensação de ardência e indica que já foi ultrapassado o limite de exposição – adverte Mara Rizzatti, coordenadora do estudo e gerente do Grupo de Física das Radiações da PUCRS.

Na escala de índices de ultravioletas – que variam de um a 18 – a radiação indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para as câmaras de bronzeamento artificial é entre um e dois. Mas, em 80% dos 40 aparelhos avaliados no Rio Grande do Sul, chegava a cinco pontos, o que corresponde ao sol do meio-dia, o mais feroz para a saúde.

Bronzeamento artificial pode ser tão perigoso quanto o sol. No conforto dessas máquinas, podemos até pensar que estamos seguros, mas isso pode ser uma grande ilusão – frisa Mara. Para assegurar a saúde dos gaúchos, a Vigilância de Saúde está organizando uma força-tarefa para mapear, orientar e fiscalizar os estabelecimentos que oferecem o serviço. A expectativa é de que a ação conscientize proprietários de destéticas sobre os riscos da luz artificial.

Atenção às exigências

Embora pessoas ansiosas por chegar à temporada de sol e calor sem a palidez do inverno ainda formem o grande público que recorre ao bronzeamento artificial, pacientes em busca de tratamento para problemas dermatológicos também se submetem à radiação das câmaras, inadvertidamente. Para cuidar de doenças como a psoríase – desordem inflamatória caracterizada por placas avermelhadas que aparecem sobre a pele e o couro cabeludo – recorrem às câmaras, quando deveriam ser tratados com outra intervenção.

– A fototerapia é o método mais indicado para o tratamento de algumas doenças, pois tem acompanhamento de um dermatologista – ressalta a dermatologista Taciana Dal’Forno Dini.

Para evitar os riscos da superexposição, é imprescindível prestar atenção a um detalhe importante que as clínicas de estética devem, por lei, apresentar: o laudo espectro-radiométrico.

– Esse documento garante que o equipamento foi inspecionado e traz informações sobre a intensidade da radiação ultravioleta emitida pela máquina – avisa Mara Rizzatti.

As estéticas devem ter alvará sanitário, previsto em regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de solicitar que os clientes assinem declaração se responsabilizando pelos efeitos colaterais.

– Estamos reunindo representantes de estabelecimentos para prestar orientação e advertir sobre os riscos da técnica. Informações sobre isso também serão levadas à população, que deve procurar saber sobre as implicações à saúde que os aparelhos podem oferecer – afirma Anderson Lima, físico e coordenador do Núcleo de Engenharia da Vigilância em Saúde de Porto Alegre.

São maneiras de evitar maiores efeitos colaterais, ainda que o bronzeamento artificial seja reconhecidamente muito mais potente do que o sol para o surgimento de manchas na pele, sardas, queimaduras, flacidez facial, rugas e ressecamento, além da pior das conseqüências: o câncer de pele.

>> Onde fazer bronzeamento:

Curitiba
Porto Alegre
Floripa
Litoral de SC
Litoral do RS
Caxias do Sul

Leia mais
Comente

Hot no Donna