Redes sociais geram novas angústias. Conheça o fomo

Transtorno é visto por psicólogos como reflexo do século 21

Celular e redes sociais interferem nas escolhas diárias
Celular e redes sociais interferem nas escolhas diárias Foto: Ricardo Wolffenbüttel

A programação é encontrar os amigos e sair para a balada. Ao chegar ao barzinho onde combinou de encontrar com a galera, você escuta a conversa dos outros. Confere as filipetas que lhe entregam e ainda checa as redes sociais. É aí que descobre outros eventos igualmente interessantes na mesma noite e se pergunta: “Será que me divertiria mais lá do que aqui?”. Sem perceber, o fomo (fear of missing out) – medo de estar perdendo algo, em português – se alojou em você.

O nome lançado pelos norte-americanos virou verbete popular e caracteriza a ansiedade causada, principalmente, pela interferência do celular e das redes sociais nas escolhas diárias de milhões de homens e mulheres. Como uma angústia que acomete aqueles que gostariam de estar presente em todos os locais bacanas da sexta-feira à noite, por exemplo. Ou mesmo entre pessoas que gostariam de realizar mil e uma atividades no trabalho para mostrar eficiência. Nem pensar em perder algo dito e compartilhado como “o mais legal”, “o mais importante”. O resultado é um sentimento de perda e de culpa.

Encarado por psicólogos e outros especialistas como reflexo das mudanças aceleradas do século 21, tanto em valores quanto em comportamentos, o fomo promete gerar mais estresse. Um levantamento da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR) mostra que 82% dos adolescentes na faixa dos 16 aos 18 anos apresentam um quadro de ansiedade. Entre os entrevistados, 54% disseram sofrer de falta de concentração.

Mas os adolescentes não são os únicos. Dados levantados pela empresa de publicidade e marketing JWT, divulgados em maio passado, confirmam: um número crescente de adultos sofre de fomo. Aplicada nos EUA e no Reino Unido, a pesquisa revela que 72% dos entrevistados, de 18 a 33 anos, têm “medo de perder algo”.

No Brasil, a realidade não é diferente. De acordo com a Isma-BR, esse comportamento tem aparecido, frequentemente, em brasileiros maiores de idade. O perfil é: indivíduos em posições de visibilidade em empresas, altamente competitivos e ambiciosos.

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