Reforma, doce reforma

Após 15 meses de árduo trabalho na reforma da sua casa, designer conta em livro sua odisseia

Em luxuoso livro, o designer mais pop do Brasil conta como foi a reforma de sua própria casa, que consumiu 15 meses de trabalho
Em luxuoso livro, o designer mais pop do Brasil conta como foi a reforma de sua própria casa, que consumiu 15 meses de trabalho Foto: Touche, divulgação

O designer Marcelo Rosenbaum tornou-se a encarnação do sonho de muita gente desde que assumiu o quadro Lar Doce Lar, no programa Caldeirão do Huck. À frente de um time de arquitetos, engenheiros e pedreiros, ele dá vida nova a casas de pessoas carentes em várias cidades do país. Ironicamente, ele não tinha a sua própria. Porém,
em janeiro de 2009, ele e a mulher, Cris Miranda, assinaram um contrato e deram início à construção do seu lar, doce lar. Os 15 meses de trabalho árduo deram origem ao livro Entre sem Bater (Editora Abril, 240 páginas, R$ 90), no qual ele conta detalhes da reforma e de como ele espera que o lugar seja o palco das histórias de Bertha e Ian, seus filhos. A seguir, ele fala sobre arquitetura, projetos e sua paixão pelos filhos.

Cliente e arquiteto ao mesmo tempo

“Nunca acho que um projeto esteja pronto. Inclusive, acho interessante você fazer uma casa e deixá-la quase inacabada, para o próprio tempo e o cliente sentirem-na,
fazendo o que ele ache o que tem de ser feito. É exatamente o que está acontecendo na minha casa hoje. Há sofás que estão em uma posição nas fotos e agora estão noutra, estante que já não é mais do jeito que era. E é incrível, porque você olha mil vezes sua planta, mas quando você começa a viver na casa, percebe que é de outro jeito. Mas, claro, essa casa já estava pronta e passou por uma reforma. Um projeto do zero te dá mais liberdade para dominar os espaços. Essa passou por uma adaptação do tempo, do uso e ela está em constante modificação, até porque ela também é meu laboratório de experiências, de exercícios de trabalho.”

Era uma vez uma casa… e um  livro

“Uma casa só serve para contar histórias, e eu fui muito generoso e fiel no que contei. O que sentia e vivia colocava no livro. Foi um caminho que quis dividir no
editorial. Até porque, antes, pensei que fazer Reforma, doce reforma um livro da minha casa poderia significar um reality show ou só uma invasão de privacidade. Por isso quis dividir esse processo de comprar uma casa, decidir o que fazer nela, porque é um perrengue, algo bem duro e que muita gente passa. Hoje já assumi mais a casa, ela já nos aceitou mais, como moradores. Já está arraigando mais as nossas vidas, estamos usando-a mais e, assim, ela não para de contar histórias.”

Os filhos e o seu habitat

“Eu era sozinho e minhas casas, até então, eram alugadas. E eu tinha uma vida, mesmo namorando, em que elas eram de passagem. Eu e a Cris estávamos viajando, curtindo, nem tinha necessidade de assumir um lugar definitivo. E as crianças dão
essa vontade de imaginar um espaço para que eles cresçam, para que sintam
que esse espaço está se transformando. Acabamos de fazer o quarto do Ian, conversando, ouvindo o que ele queria e é incrível a felicidade dele. A Bertha continua customizando o quarto dela.”

Desmistificando a arquitetura

“Essa é uma grande  responsabilidade do meu trabalho na televisão, porque ele democratiza o  profissional. Lá, eu apareço dando o meu olhar. Mas há vários outros arquitetos, outros profissionais que também dão conta de me ajudar.

E são esses profissionais e esse cuidado que todas as casas, de todo o povo,
deveriam ter. Não só por serem feitas por um arquiteto, mas sendo uma casa digna de morar. Mas acho que existe uma mudança. Há um movimento maior das classes C e D,  do consumo dessa faixa, e até mesmo a quantidade de designers e arquitetos se formando mostra que há uma possibilidade de mercado além do que a elite se insere. Há que se achar um meio de fazer isso acontecer para todos.”

O melhor design e a paixão pelo Brasil

“Ao invés de dicas de onde comprar, o melhor é dizer que o importante é comprar algo que tenha a ver com os espaços, com os usos que você dá para sua casa, procurando o máximo de conforto e pensando nos tamanhos, dos móveis e da casa. E minha paixão pelo Brasil acontece porque temos um país novo, de referências sem fim. E o meu olhar é para essas referências. O comportamento é um só, da tecnologia, do jeito de morar, de usar a casa, esse é igual para todos os lados. Mas quando você pode olhar para a brasilidade, trazendo com isso uma autoestima, uma inclusão, como uma identidade cultural, em um país que cresce como o nosso, é muito importante, além de manter essa nossa cultura.”

O sagrado no lar

“Usei feng shui, candomblé e crenças indígenas no projeto da minha casa. Essa é uma questão pessoal. Eu acredito em energia, nas energias que estão além das nossas e
da forma como estamos conectados com a natureza. Por isso, falar em sustentabilidade e não falar na unidade do homem com sua mente e seu entorno,
não existe. Eu sou conectado em todas essas possibilidades de energia.”

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