Relações em que um dos parceiros tem o vírus da aids: é possível

Aos três anos, Suri Cruise é ícone da moda infantil e já passeia de sapato de salto nos pés, ao lado da mãe, a atriz Katie Holmes
Aos três anos, Suri Cruise é ícone da moda infantil e já passeia de sapato de salto nos pés, ao lado da mãe, a atriz Katie Holmes Foto: Reprodução

Uma das mais importantes pesquisas sobre HIV em curso no mundo está sendo desenvolvida no Hospital Conceição, em Porto Alegre. Financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, o estudo acompanha 83 casais com uma condição peculiar cada vez mais comum: são sorodiscordantes. Um dos parceiros têm o vírus, e o outro não.

O objetivo é saber se o coquetel antirretroviral, o grande responsável por transformar a aids em uma doença crônica, e não mais fatal, também reduz as chances de transmissão na relação sexual. Tudo leva a crer que sim. O grande trunfo do coquetel é diminuir a níveis indetectáveis a carga viral de soropositivos. Pela lógica, menos vírus circulando no organismo significa menos chances de transmiti-lo pelo esperma ou pela secreção cervical.

Uma pesquisa anterior do Conceição companhou 93 casais sorodiscordantes por seis anos e constatou que não houve transmissão entre aqueles cujo parceiro soropositivo tomava antirretrovirais. O resultado serviu de base para uma polêmica pesquisa suíça, que concluiu que um soropositivo com carga viral abaixo do nível de detecção há mais de seis meses, sem doenças sexualmente transmissíveis e que segue à risca o tratamento, não transmite o vírus por via sexual.

Às vésperas do Dia Mundial de Luta contra a Aids, em 1º de dezembro, a importância da descoberta é comparada à revelação, nos anos 1980, de que a infecção não é transmitida pelo beijo – o primeiro golpe no preconceito. Para quem convive com o vírus entre os lençóis, a notícia ajuda a aplacar o medo. O diagnóstico, porém, é um teste para qualquer relação, reconhece a infectologista Marineide Gonçalves de Melo, uma das coordenadoras da pesquisa:

– Ficar ao lado de um parceiro soropositivo é uma prova de amor a toda prova. Nenhuma relação passa incólume ao HIV, mas pode ficar mais forte depois dele.

Poucos tratamentos avançaram tanto quanto o da aids nas últimas duas décadas. Os antirretrovirais praticamente igualaram a expectativa de vida de soropositivos à da população em geral.

– O coquetel não impede que as pessoas desenvolvam outros tipos de doenças que elas teriam mesmo se não fossem portadoras do vírus. Existem enfermidades ligadas à presença do HIV no organismo, mas elas são controladas com terapias já existentes – explica o chefe do setor de Infectologia do Hospital Conceição, Breno Riegel dos Santos.

Por trás dos avanços da ciência, um novo cenário ainda desconhecido da maior parte da população se descortina. Saudáveis, os portadores de HIV começam agora a perder o medo de retomar a vida afetiva. Os mais de 150 voluntários da pesquisa do Hospital Conceição têm em comum o fato de estarem em um relacionamento estável em que um dos parceiros é soropositivo. Mesmo temerosos de assumir a doença publicamente, eles acalentam sonhos semelhantes aos de qualquer casal, como o de ter filhos. E encontram apoio dos médicos.

A esperança se ampara em um procedimento novo, chamado de lavagem de esperma. Em laboratório, os médicos conseguem eliminar o HIV do líquido seminal – no caso de o homem ser o portador – antes de utilizá-lo em uma inseminação artificial. A concentração de espermatozoides férteis e livres do vírus é introduzida no útero da mulher no período fértil. Enquanto isso, é necessário cumprir à risca o mandamento de usar sempre o preservativo.

A naturalidade para lidar com os entraves só é alcançada com intimidade e compreensão.

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