Reposição hormonal não gera ganho de peso, afirma especialista

Confira as principais dúvidas sobre a terapia de reposição hormonal

Não há um aumento substancial de casos de câncer entre as mulheres que usam hormônios
Não há um aumento substancial de casos de câncer entre as mulheres que usam hormônios Foto: Ricardo Wolffenbüttel

Apesar de já ser amplamente recomendada e utilizada, a terapia de reposição hormonal feminina ainda dúvidas. Segundo a ginecologista do Serviço de Ginecologia do Hospital São Lucas, Adriana Arent, as mulheres ainda têm muito receio sobre a terapia. Os maiores medos estão relacionadas ao câncer de mama e ao aumento de peso.

Tire suas dúvidas sobre a terapia de reposição hormonal

:: Em que situações é recomendada a reposição?

Adriana Arent: A terapia hormonal é indicada no tratamento dos sintomas do climatério, especialmente os sintomas vasomotores (calorões). A terapia hormonal também é indicada no manejo de sintomas como os distúrbios do sono, diminuição de libido, a dispareunia e na atrofia e ressecamento vaginal. Em algumas mulheres pode ser indicada para diminuir o risco de osteoporose e fraturas.

:: Todas as mulheres precisam de reposição quando alcançam a menopausa?

Adriana: Nem todas as mulheres necessitam de reposição de hormônios, apenas as que apresentarem os sintomas.

:: Quais os maiores medos das mulheres quanto ao tratamento?

Adriana: O risco de câncer de mama e o aumento de peso são as maiores preocupações das mulheres que iniciam terapia hormonal.

Quanto ao ganho de peso, sabe-se que o índice de massa corporal tende a aumentar com a idade, geralmente relacionado com o aumento da ingestão calórica e a diminuição do gasto energético. Nas mulheres, as alterações hormonais da menopausa podem afetar a composição corporal e levar o ganho de peso. São as alterações deste período que levam ao ganho de peso e não a reposição de hormônios. Os estudos sobre o assunto não demonstram diferenças no ganho de peso ou no índice de massa corporal entre mulheres usuária e não usuária de terapia hormonal.

:: É verdade que a reposição aumenta os riscos de câncer?

Adriana: Sabemos que o diagnóstico do câncer de mama aumenta entre as usuárias de terapia com estrogênios e progesterona quando o tratamento dura mais de três a cinco anos. Porém, em termos absolutos, este aumento não é tão impactante quanto a percepção e o temor que se tem. Na verdade, este aumento de risco seria equivalente a oito casos em 10 mil usuárias por mais de cincos anos. Por outro lado, esse tratamento diminui o risco de câncer de cólon e endométrio.

:: Qual o efeito da reposição hormonal no desejo sexual?

Adriana: O maior benefício da terapia hormonal, tanto sistêmica (oral ou transdérmica) como via vaginal tópica é a melhora do quadro de ressecamento vaginal, que leva a dispareunia. Nos casos de diminuição de desejo, pode-se associar a terapia androgenia à terapia hormonal clássica.

:: Existe algum fator que impossibilite a realização da reposição, como alguma doença? O que é feito nesses casos?

Adriana: Em pacientes com história de tumores hormônio-dependentes, doença coronariana ou hepática e episódio de trombose no passado a terapia é contra-indicada. Nestes casos, podemos utilizar terapias não hormonais.

:: Há alguma relação entre o tratamento hormonal e o rejuvenescimento?

Adriana: A terapia hormonal na menopausa trata os sintomas decorrentes da falta destes hormônios. Melhora a massa óssea, melhora o trofismo da vagina, mas não é uma terapia anti-envelhecimento.

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