Reprise de “Vale Tudo” faz ressurgir uma grande vilã da história da TV nacional: Odete Roitman

Junto com a personagem, também reaparece Beatriz Segall, que está voltando aos palcos

Beatriz afirma que cansou de falar de Odete Roitman
Beatriz afirma que cansou de falar de Odete Roitman Foto: TV Globo, Divulgação

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Falta pouco, muito pouco. Enfim, ela vai voltar. E, para os amantes da (tele) dramaturgia brasileira, este é um dos mais aguardados retornos de todos os tempos. Afinal, falou em Beatriz Segall, pensou em quem? Pois na próxima quarta-feira a atriz ressurge na pele de uma das grandes, senão a maior vilã da história da TV nacional: Odete Roitman.

Na reprise de Vale tudo, no Canal Viva, a personagem chega ao Brasil, após uma temporada em Paris, para começar a aprontar das suas. Os fãs da trama de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, imenso sucesso em 1988/1989, fazem novamente a novela bater recordes de audiência, agora na TV por assinatura. No dia seguinte, a veterana atriz ? hoje aos 84 anos de idade, 59 de carreira ? pisa no palco no Rio, na estreia da peça Conversando com Mamãe.

Como é sua personagem em Conversando com Mamãe?

Beatriz Segall ? Minha personagem chama-se Mamãe. É uma mulher simples, mas extremamente esperta e corajosa. Ela faz da velhice uma espécie de vantagem, pela sabedoria que adquiriu.

Alguma semelhança com a Beatriz Segall mãe?

Beatriz ? Ela é igual a todas as mães. Igual a mim, principalmente, porque é inteligente, simpática e boa (risos). Olha, tenho três filhos e 10 netos. Minha relação com a família é ótima, muito transparente. Espero que meus filhos venham aqui ouvir algumas coisinhas da peça que vão servir para eles.

Costuma assistir à televisão?

Beatriz ? Já gostei mais. A televisão brasileira caiu muito, infelizmente. Hoje, não me agradam os textos, a falta de consistência no que é tratado, o excesso de violência e de sexo.

Seu afastamento da TV foi voluntário (seu último papel é de 2006)?

Beatriz ? Foi falta de oportunidade e também porque, como eu abro a boca e falo tudo o que penso, tem gente que não acha muito agradável.

E as aclamadas vilãs, que marcaram sua carreira?

Beatriz ? Acho que agora até o público está cansado disso. As pessoas precisam ver que eu não sou atriz de um papel só. Qualquer novela que vou fazer, sempre me botam em situações em que sou a má, e eu fico driblando. Mas não adianta, e isso me irrita um pouco. Gostaria de testar novas possibilidades.

O público se incomoda quando você não vive papéis sofisticados?

Beatriz ? Na época de Champagne (1983, em que ela era a suburbana Eunice), falavam: “Não gostei de ver você feia, de lenço na cabeça, na boca do forno”. Bobagem! Ninguém consegue ser a rainha da Inglaterra o tempo todo.

“Beatriz Segall detesta falar sobre Odete Roitman”. Verdade ou mito?

Beatriz ? Não é que eu não goste. É que eu cansei. É como se eu só tivesse feito esse papel na vida. Fiz papéis mais importantes no teatro. E é sempre a mesma pergunta.

Tem assistido à reprise?

Beatriz ? Não, é muito tarde. Ou eu estou ensaiando ou dormindo, não dá. Acho muito bom que vá ao ar de novo, mas deviam reprisar em horário nobre.

Acha que foi responsável pela valorização do papel de vilão?

Beatriz ? Acho! Até então, ninguém queria ser o malvado da história. Odete era durona, comprava as pessoas e não fazia questão nenhuma de ser simpática. Mas era muito engraçada! As barbaridades que dizia do Brasil… No fundo, todo mundo achava que ela tinha razão.

Qual a sua opinião sobre os novos famosos alçados pela televisão?

Beatriz ? O que é celebridade hoje em dia? Uma garota que está começando aparece de biquíni e já é celebridade. Na minha época, ser célebre era ser especial. Hoje, não mais. As meninotas bonitinhas tomaram conta, e quem tem mais de 65 anos não tem valor na TV. Coisa que não acontece no teatro. Teatro é teatro, dá oportunidades que a TV não dá. Por isso, comecei nele e vou terminar nele.

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