Revelações do censo: Rio Grande do Sul está mais feminino

Estado tem 284 mil mulheres a mais do que homens, diferença superior à população de Santa Maria

Zoraia Pithon é uma das precursoras do estudo de Magia Ritualística
Zoraia Pithon é uma das precursoras do estudo de Magia Ritualística Foto: Divulgação, João Batista Roos Schuch

As mulheres já eram maioria no Rio Grande do Sul, mas agora são mais maioria ainda. Os dados definitivos do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem, apontam cem delas para cada 94,8 homens. No total, são 5.205.705 gaúchos e 5.489.827 gaúchas – uma diferença de 284.122 mil.

Adisparidade – superior à população de Santa Maria (261.027) – é mais acentuada do que a registrada no país como um todo. No Brasil, há 95,9 homens para cada cem mulheres. O número de brasileiras suplanta em 3,9 milhões o de brasileiros, quase três vezes a população de Porto Alegre.

A prevalência feminina, que no Estado passou de 50,45% da população em 1980 para 51,33% em 2010, tem como causa a maior longevidade das mulheres. Os homens até largam com vantagem, mas perdem o fôlego. Eles nascem em maior número, e seguem como maioria até os 24 anos. Como eles morrem mais cedo, as mulheres tornam-se majoritárias. Na faixa dos 85 aos 89 anos, elas já são duas vezes mais numerosas. Acima dessa idade, há três idosas para cada idoso.

Uma das principais razões para o aumento na proporção de mulheres na população é a morte de homens jovens em acidentes de trânsito ou por causa da violência, o que puxa para baixo a expectativa de vida masculina. Cerca de 70% dos óbitos entre os 15 anos e os 24 anos têm causas externas – e vitimam principalmente homens.

Os dados divulgados ontem revelam ainda que a maioria feminina da população prefere viver nas cidades médias e grandes. A campeã de mulheres é Porto Alegre (53,61%). Os homens, por seu turno, são maioria em pequenos municípios rurais. Entre as exceções, está Charqueadas, na Região Metropolitana, a mais masculina em decorrência dos apenados que abriga.

– Historicamente, as mulheres migram mais. No Interior, elas têm pouca oportunidade fora das propriedades rurais, onde o serviço é pesado. Há um grande fluxo de mulheres jovens para os centros urbanos, onde há mais oferta de emprego e educação. Já os homens permanecem mais nos municípios pequenos, para cuidar da propriedade da família – analisa Ademir Koucher, coordenador de divulgação do Censo no Estado.

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