Reynaldo Gianecchini fala sobre novo ritmo de trabalho após doença

Ator deu entrevista antes do lançamento de sua biografia "Giane

No livro, Fiuza escreve sobre o câncer, vida amorosa e as inseguranças de Gianeccinhi
No livro, Fiuza escreve sobre o câncer, vida amorosa e as inseguranças de Gianeccinhi Foto: Tomás Arthuzzi

Minutos antes de participar da tarde de autógrafos do livro em São Paulo, na terça-feira, o ator Reynaldo Gianecchini conversou com a reportagem sobre o que mudou no dia a dia e em seu comportamento após o tratamento médico.

Cerca de um mês depois de sair do hospital, você estreou a peça Cruel. Não retomou suas atividades rápido demais?
Reynaldo Gianecchini – Acho que foi tudo no tempo certo. Eu jamais faria se achasse que estava extrapolando. Queria estrear em março, mas, quando saí do hospital, em janeiro, achei que já fosse cair nos exercícios. Eu voltei absolutamente debilitado. Mal conseguia sair da cama de tão fraco. Vi que o negócio seria devagar. Eu estava muito empenhado. Acho que a força de vontade tem realmente um poder que a gente desconhece. Quando estreei, já estava bem para fazer aquilo. A voz se alterou muito durante o tratamento, ficou uma voz fraca e foi voltando.

Os médicos não reclamaram?
Reynaldo Gianecchini – Eu ia fazendo os exames e estavam ótimos. Então, minha médica foi deixando. Mas eu não tinha voltado para a ‘vida louca vida’.

Como você se cuida hoje? Tem de tomar remédios?
Reynaldo Gianecchini – Medicação, não, só alimentação. Como tudo orgânico. Não dá para vacilar mais.

A produção de Guerra dos Sexos é mais cuidadosa com você?
Reynaldo Gianecchini – Eles têm muito carinho e tentam cuidar de mim. Mas, novela é uma coisa louca, não tem como sair da correria. Sou o que mais grava, meu personagem está em todos os lugares. Fico torcendo para ter um dia de folga, mas não tenho nunca.

Você descansa nos intervalos?
Reynaldo Gianecchini – Tem um colchãozinho lá, onde dou uma descansada entre uma cena e outra. O personagem é leve, não desgasta tanto. Se fosse um drama, se eu estivesse em Avenida Brasil, no lugar da Adriana Esteves, ave-maria! Mas eu falei tchau para os amigos, muito raramente saio para tomar uma cervejinha.

Está proibido de beber?
Reynaldo Gianecchini – Não estou proibido de nada. Posso tudo na vida.

Você está mais cuidadoso consigo mesmo?
Reynaldo Gianecchini – Tenho de me cuidar muito mais. Quem fez um transplante (de medula) tem muito mais risco de pegar uma gripe, uma bactéria. Eu não deveria ficar abraçando tanto as pessoas que pedem para tirar foto. Minha médica fica brava, mas não consigo. As pessoas vêm e fico constrangido em dizer que não posso. Isso eu realmente não poderia estar fazendo. Se houver alguém com uma virose, eu posso pegar.

Você está em muitos comerciais. Os anunciantes te procuraram mais depois da doença?
Reynaldo Gianecchini – Não sei dizer se tem mais (procura). Toda vez que você consegue uma comunicação forte, vira alvo dos anunciantes. Foi uma fase em que tive muita comunicação, recebi muito carinho das pessoas, me expus, falei o que achava necessário. Talvez tenha sido isso que os anunciantes tenham visto. Não acho que está over.

O que mudou em relação a você mesmo?
Reynaldo Gianecchini – Estou mais eletivo com as pessoas e com o que fazer. Não quero fazer as coisas que eu não quero viver. Não quero mais ser fofo para agradar às pessoas. Eu quero me agradar. Como estou sozinho, não tenho de negociar nada. Quando você está casado, é sempre uma negociação.

O final do livro sugere a transformação dele em filme.
Reynaldo Gianecchini – Não penso nisso, vão ter de esperar eu morrer. Não sei se concordo se alguém quiser fazer. É muito estranho.

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