Roupas ecológicas são tendência de grifes no mercado de moda

Marcas mantém pesquisas de novos materiais orgânicos e investem em processos sustentáveis

Colcci usa a sarja ecológica Tencel em certas peças (na foto, coleção de inverno 2010)
Colcci usa a sarja ecológica Tencel em certas peças (na foto, coleção de inverno 2010) Foto: Andre Penner, AP

Como tudo que é feito através de princípios sustentáveis, a fabricação de roupa ecológica tem foco na matéria-prima reciclada, sem agrotóxicos e produtos químicos, e no processo de produção com menor impacto ambiental possível. Geralmente estas empresas também adotam o sistema de produção socailmente responsável, se comprometendo a procurar parcerias com comunidades locais de baixa renda, como em cooperativas, e não utilizando trabalho infantil. Os tecidos que mais vêm sendo utilizados são feitos a partir de garafas plásticas PET, algodão reciclável e algodão orgânico. Este último deriva de sementes não modificadas geneticamentes e cultivadas sem o uso de agrotóxicos e fertilizantes artificiais.

Outro material que é utilizado principalmente na confecção de sandálias, sapatos e cintos é a borracha reciclada de pneus. A brasileira Goóc foi uma das pioneiras no Brasil, e vende suas sandálias também pela Europa. A marca de tênis francesa Veja produz toda sua linha no Brasil. A borracha natural vem do Acre, coletada pelos seringueiros que trabalham também pela valorização da floresta e lutam contra o desmatamento. O couro é adquirido no Rio Grande do Sul, curtido sem cromo, com o uso de extratos naturais de acácia. Porém, a marca ainda não vende seus produtod no Brasil.

A Justa Trama é a marca da Cadeia Ecológica do Algodão Solidário. Trata-se de uma organização com produção espalhada em diversos estados do país. O algodão orgânico é cultivado no Ceará, onde os agricultores familiares empregam técnicas de conservação do solo e da água, e não usam agrotóxicos. Os fios são produzidos por uma cooperativa no Pará, os botões e acessórios são confeccionados por artesões no Pará, e finalmente, as roupas confeccionadas por cooperativas em Santo André (SP), Itajaí (SC) e pela Cooperativa Univens em Porto Alegre (RS).

E para quem não abre mão das tendências fashionistas, a Osklen possui um laboratório de pesquisa e desenvolvimento de novos materiais sustentáveis, o e-fabrics. Na coleção de inverno a marca apresentou seda ecológica com textura de palha e tressê, lã orgânica, feltro de lã reciclada, e, para dar estrutura e forma às peças, o couro ecológico, vindo de borracha natural extraída de seringueiras.

A Colcci usa em algumas peças o Tencel, tecido ecológico feito através da polpa de árvores de reflorestamento. A Hering adota o algodão orgânico e garrafas PET para o tecido de camisetas, bolsas e até underwear. A marca também investe em pesquisas de corantes e amaciantes ecológicos para reduzir o impacto ambiental. Recentemente, no Fashion Rio, a Totem desfilou bolsas de praia e chapéus de crochê feitos com plástico reciclado.

A marca Eden, da YD Confecções em parceria com o Projeto Orgânico Coexis também tem coleções bem modernas, inclusive em jeans. A certificação de produto orgânico da Eden é emitida pelo Instituto Biodinâmico (IBD) juntamente com a NOW – Natural Organic World.

Até a tradicional camisa verde e amarela da seleção brasileira 2010 entrou na moda ecológica. O tecido é produzido com plástico reciclado de garrafas PET. São necessárias 8 garrafas para se fazer uma camisa. Aos poucos mais empresas do mercado têxtil brasileiro investem em sustentabilidade. O mercado da moda vem mostrando que moderno é ser eco-friendly.

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