Saiba como garantir a segurança do seu filho nas redes sociais

Mesmo proibido, muitas crianças com menos de 13 anos frequentam sites como Orkut e Facebook

Mabel monitora o filho Pedro nas redes sociais
Mabel monitora o filho Pedro nas redes sociais Foto: Fernando Gomes

Quase faltam dedos nas pequenas mãos de Pedro Pilla Soares para contar quantas redes sociais e sites de comunicação frequenta: Facebook, Orkut, Twitter, Club Penguin, Habbo, MSN, Yahoo! Messenger e Gmail, além de manter um blog. Tudo isso com apenas oito anos de idade.

– Comecei há dois anos, com o Migux , e depois descobri o Club Penguin (redes sociais para crianças). Acho muito legais essas coisas – conta Pedro.

É algo cada vez mais comum na atual geração de crianças, que cresceram conectadas à internet. Mas não deveria ser. Para entrar em sites como Facebook e Orkut, por exemplo, é preciso ter mais de 13 anos, devido à possibilidade de acessar conteúdo inadequado e também por questões de exposição e segurança. Rumores de que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, teria a intenção de diminuir essa idade mínima causaram polêmica no fim do mês passado.

– Há crianças de 11 e 12 anos publicando fotos pornográficas. Além disso, recentemente, coletamos 400 números de celulares via Twitter. As pessoas expõem demais sua privacidade, e qualquer estranho pode ter acesso. Uma criança de seis, sete anos vai achar que todo mundo é amigo – afirma o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da ONG SaferNet Brasil, especializada em segurança na web.

Especialistas apontam, porém, que proibir os filhos de frequentar as redes sociais está longe de ser a melhor opção, já que é muito fácil tapear as restrições etárias nesses sites. Se proibir, aí sim a garotada vai usar mais ainda. E vai ser escondido, o que é muito pior. A melhor estratégia, indica Nejm, é promover o uso orientado – ou seja, permitir que os filhos frequentem essas redes sociais, mas com supervisão e orientação contínua de pais e responsáveis. O psicólogo usa uma analogia interessante sobre o uso das redes sociais. Segundo ele, é como passear em uma praça com bilhões de pessoas:

– A internet tem de ser vista como um espaço público. Se uma criança não tem maturidade suficiente para caminhar sozinha em uma praça às 20h, também não tem para a web. Há lugares na rua e na internet com conteúdos, pessoas e situações que uma criança não tem maturidade e discernimento para enfrentar.

Diálogo constante
Usando uma analogia: você não vai impedir seu filho de sair de casa porque há violência nas ruas. Irá, sim, educá-lo para que reconheça os perigos que ele pode encontrar lá fora.

É o que faz a mãe do pequeno Pedro, a vendedora Mabel Pilla Mendonça, 29 anos (os dois aparecem na foto). Ela fica de olho no que o filho faz nas redes sociais desde seus seis anos e sempre explica o porquê de ele não poder fazer certas coisas na web, como encher o perfil de Facebook e Orkut com fotos ou falar com estranhos.

– Um dia, ele colocou umas 10 fotos lá. Fiquei uma fera e mandei tirar tudo – lembra ela, ressaltando que Pedro sabe o que pessoas mal-intencionadas podem fazer com as imagens. Nas redes sociais, o guri só se comunica com pessoas conhecidas.

– O melhor filtro é o diálogo e a participação constante da família – ressalta Isabella Henriques, do Instituto Alana, que trata de outro problema causado por esses tipos de site: o estímulo ao consumo infantil.

Cuidado online
:: Não proíba seus filhos de entrar em redes sociais, e sim permita o uso sob sua orientação;
:: Mantenha-se aberto ao diálogo com a criança, de modo que ela se sinta à vontade de contar se algo errado ocorrer;
:: Não a impeça de fazer alguma coisa na rede sem explicar o porquê da proibição. A melhor estratégia é educar a criança a saber se cuidar, a discernir desde cedo o que é inadequado. Por isso, deixe claro quais são os perigos de certas atitudes
:: Controle as informações que a criança divulga no perfil: ele deve ter o mínimo de dados, sem endereços e telefones;
:: Cuide o tipo de foto divulgada: elas não podem facilitar o reconhecimento da criança ou de endereços e nome da escola que ela frequenta;
:: Instrua seus filhos a evitar comentários sobre horários e lugares onde estarão;
:: Diga à criança que ela não deve aceitar ou conversar com estranhos. Explique que é a qualidade dos amigos que importa, e não a quantidade;
:: Insista para que seu filho jamais aceite convite de encontro presencial com quem não conhece;
:: Troque a senha do perfil periodicamente;
:: Caso seu filho seja agredido por estranhos, configure sua conta para bloquear os contatos indesejados.

Fontes: Cartilha SaferNet, Rodrigo Nejm e Isabella Henriques

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