Santo Antônio, me arruma um marido?

Santo Antônio é conhecido como casamenteiro pela crença popular, mesmo que seus milagres não tenham contemplado muitos pares românticos

Simpatias para o santo geralmente envolvem casos amorosos
Simpatias para o santo geralmente envolvem casos amorosos Foto: Tatiana Cavagnolli

Todos os anos, quem deseja casar ou conquistar o amor de alguém aproveita o clima do Dia dos Namorados para fazer rezas a Santo Antônio, o casamenteiro. Um dos mais populares santos no Brasil é lembrado no dia 13 de junho por sua morte, há 778 anos, em Pádua, na Itália. Um ano depois, Frei Antônio foi canonizado pelo Papa Gregório XII por seus milagres. Mas, curiosamente, nenhuma de suas benfeitorias foi registrada pelo bem dos casais. Seu suposto poder de reunir pares tem origem em lendas populares.

– Há inúmeras histórias de que o santo era um conciliador de casais. Tem uma que fala de uma moça que pediu ajuda para se casar. Pobre, a moça disse ao frei que ia se prostituir para conseguir o dinheiro do dote. O frei deu-lhe um pedaço de papel e disse que levasse a um armazém. O peso do papel deveria ser pago em dinheiro pelo comerciante. Sem explicações, o papel teria pesado muito, e a moça, conseguido o dote – conta o Frei Celso Bordignon.

Histórias de outros devotos que casaram com a ajuda do santo reforçam a ideia de que ele é bom em formar casais. Assim surgiram simpatias para conquistar a pessoa amada. Deixar a imagem do santo de cabeça para baixo (pode ser num copo d’água) até que surja um novo amor é a mais popular, mas a crendice diz que outras também funcionam. Seriam milagres?

– A neurociência comprova que se uma pessoa quer muito algo, ela cria artifícios para conseguir. Por exemplo: se a pessoa vira a imagem de Santo Antônio de ponta- cabeça e acredita que vá funcionar, automaticamente se torna mais atraente, até biologicamente o corpo sofre alterações que poderão atrair um parceiro – explica a psicóloga transpessoal Carla Maria Frezza Cavalheiro.

Ao estudar o quanto as crenças refletem no comportamento humano, a psicóloga passou a defender que as pessoas busquem um conhecimento mais aprofundado sobre si próprio.

– Seja por crenças populares, reza a santos, psicologia ou neurologia, nós temos poder de movimentar energia para que aconteça aquilo em que a gente acredita – afirma Carla.

Pela fé ou pelo poder da mente, muitos pedidos feitos a Santo Antônio são atendidos. O recreacionista terapêutico André Luis dos Reis, 27 anos, se diz contemplado pelo casamenteiro. Religioso, ele diz que sua vida foi cercada por coincidências que o aproximaram de Santo Antônio, como a data de seu aniversário: 14 de junho. Ele reza ao santo desde a adolescência e fez um pedido especial há sete anos.

– Estava sozinho há mais de um ano, então fiz o pedido que se realizou em setembro do ano passado – conta.

Reis casou com a psicóloga Nádia de Cesaro dos Reis, 28. Um pedido especial feito por rezas, sem simpatias, que o terapêutico acredita ter sido realizado pela fé.

– Acredito que o santo me ajudou, pois pedi que minha namorada tivesse algumas qualidades, e minha esposa tem todas elas.

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