Sapatos plásticos conquistam estilistas do Brasil e do Exterior

Depois de altos e baixos, a onda plástica toma conta dos pés femininos

Sapatos plásticos ganham os pés de mulheres de todas as idades
Sapatos plásticos ganham os pés de mulheres de todas as idades Foto: Divulgação

É raro encontrar uma brasileira na faixa dos 30 anos, de qualquer classe social, que não tenha usado sapato plástico na adolescência ou infância. Quando a moda surgiu, no final da década de 1970, os calçados eram duros, fabricados em poucas cores e havia um número contado de modelos no mercado. Inicialmente, era um item de luxo das mulheres ricas, mas logo perdeu a exclusividade: virou objeto popular e malvisto nas passarelas. Nos últimos 10 anos, entretanto, o sapato de plástico voltou a conquistar o gosto das mentes mais criteriosas da moda, como a estilista Vivienne Westwood.

Na última temporada primavera/verão americana e européia, estouraram sapatos feitos por marcas e estilistas conceituados da alta-costura. O queridinho das celebridades, Marc Jacobs, lançou o seu famoso sapato de ratinho em plástico. A clássica Givenchy inovou com uma sandália gladiador. E a Marni, grife italiana, desenhou sua versão da sandália de plástico com cores mais fortes. Em média, as lojas cobram R$ 270 pelo par.

No topo do ramo de sapatos injetados – como são chamados – está a Melissa. Há quatro anos no mercado internacional, ela já conquistou cidades como Londres, Paris, Nova York e Tóquio. A marca é apontada como a pivô da tendência dos calçados plástico no exterior, seguindo o sucesso das Havaianas, que dominou a Europa com a suas flip flops. O Brasil, porém, não é o maior fabricante de sapatos plásticos do mundo. Perde para a China. Mas o diferencial brasileiro está na inovação do design e na alta tecnologia.

Algumas empresas internacionais também têm conseguido fazer sucesso por aqui. A canadense Crocs começou a vender seus produtos no Brasil há um ano. Para quebrar a barreira, trouxe uma proposta de sapatos de plástico diferente: apostou no modelo ergonômico.

– Para 2009, está projetado para o Brasil um crescimento maior de venda do que em qualquer outro país – prevê Andrew Schmitt, diretor geral de vendas da empresa na América Latina.
 
Aqui no Brasil, no inverno, os estilistas lançaram modelos em cores sóbrias. A grande surpresa foi a parceria da Melissa com a estilista inglesa, ícone dos anos 1970, Vivienne Westwood. Ela fez em plástico uma versão do seu famoso Mary Jane, até então só existente em couro. Segundo o gerente geral da Melissa, Paulo Pedó, originalmente, o sapato foi desenhado por Vivienne para ser desenvolvido em plástico, mas apenas agora, com a tecnologia da marca, a estilista conseguiu fabricar o modelo imaginado. A Melissa também lançou outro modelo inusitado, criado em parceria com a arquiteta iraquiana Zaha Hadid, primeira mulher a receber o Prêmio Priztker de Arquitetura.

O estilista Marcelo Sommer repetiu o contrato de verão com a Crocs e calçou os seus modelos com o sapato ergonômico canadense.

Outra tendência que pegou no inverno passado e promete permanecer no próximo são as galochas. Grandes marcas internacionais deixaram suas estampas nas botas de plástico, como Pucci, Burberry e Paul Smith. Nos ateliês nacionais, Carlota Joakina, Glória Coelho, Ellus e 2nd Floor foram as lojas que colocaram em seus desfiles a botinha de chuva.

O sapato de plástico surgiu na Riviera Francesa, na década de 1970, quando uma empresa local fez uma releitura em PVC das sandálias usadas pelos pescadores da região. Pedro Grendene resolveu trazer a novidade para o litoral sul-americano em 1979. Assim, nasceu a Melissa, principal empresa do ramo. Em 1983, começou a fazer casamentos de sucesso com estilistas, como Jean Paul Gaultier e Thierry Mugler. Nos anos 1990, retomou as parcerias com designers e artistas.

Hoje há uma série de modelos desenhados por Alexandre Hechcovitch, Isabela Capeto, irmãos Campana. Para o professor de negócios da moda da Universidade Anhembi Morumbi Luis Fernando Campanella, o Brasil é pioneiro e foi muito importante para que os sapatos de plástico caíssem no gosto das mulheres de todo o planeta.

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