SC atrai visitantes em busca de opções de luxo

Ponta dos Ganchos
Ponta dos Ganchos Foto: Divulgação

Gastar R$ 22 mil numa pousada para passar um final de semana e pagar R$ 8 mil para degustar um bom vinho. Parece mentira, mas não é. O turismo VIP está em alta em Santa Catarina. São várias as opções para os milionários aplicarem seu rico dinheirinho nestes “pequenos” luxos.

Chegar de helicóptero a uma ilha paradisíaca e ser recepcionado com um drinque tropical lembra uma antiga série de televisão que se chamava Ilha da Fantasia. E é exatamente isso que turistas com alto poder aquisitivo buscam na Ilha do Papagaio: um pouco de fantasia, sem abrir mão do conforto.

– Poder ficar desconectada, sem televisão e internet, num ambiente despojado mas de muito bom gosto. É isso que eu vim buscar aqui e encontrei – conta a advogada paulista Carla Mello, que, junto com as gaúchas Cassia Marcolin e Deborah Espertlo, escolhia uma joia na loja exclusiva da pousada.

O anel que mais atraiu as amigas custava R$ 5 mil.

O gasto médio por casal na Ilha do Papagaio, de acordo com o dono do lugar, Renato Sehn, é de R$ 4 mil num feriado como o que terminou ontem. Mas alguns hóspedes podem e gastam muito mais. Extrapolam nos pratos, comem lagosta, bacalhau, bebem muito champanha e abusam de vinhos caros.

Pequenos mimos fazem a diferença

Foi na Ilha do Papagaio que um cliente milionário deixou R$ 22 mil, dinheiro que um trabalhador remunerado pelo salário mínimo levaria quatro anos para receber.

– Apenas uma garrafa de vinho custou R$ 8 mil. E ele nem bebeu tudo o que encomendou. Ia esquecendo um vinho ótimo. Cheguei a levar até o helicóptero, mas ele não quis. Deixou para mim de presente. Eu não tomei, e quando ele voltou, o recebi com a garrafa – conta.

São estes pequenos mimos que fazem toda a diferença na hora de tratar dos clientes VIPs. No Resort Ponta dos Ganchos, por exemplo, o diferencial é exigir dos hóspedes, pelo menos, 18 anos de idade. Criança não entra. Nada contra os pequenos. É apenas uma forma de garantir o sossego dos casais.

– O público classe A não dispensa o conforto. E a alimentação é fundamental. Nós valorizamos o sabor local, mas não deixamos de ter ingredientes importados – ensina Renato, responsável pela elaboração dos pratos mais requintados.

Em 16 anos de atividade, a Ilha do Papagaio só teve dois incidentes. Um casal paulista que achou o lugar rústico demais e um executivo que foi aplaudido pelos demais hóspedes ao embarcar para deixar a ilha.

– No primeiro caso, ele chegou de terno e ela de salto alto. Nosso ambiente é despojado. A proposta é relaxar, entrar em contato com a natureza, colocar os pés na areia. Eles não gostaram. E o outro caso foi excesso de arrogância mesmo – diz.

Os milionários têm lá suas excentricidades. Nem sempre agradáveis, mas, na maioria das vezes, inofensivas. Renato lembra que já teve que ceder sua cozinha para uma consulesa de um país europeu. Ela queria cozinhar e fez bonito, garante ele.

Cliente da Ilha do Papagaio, o empresário Vitor Gomes, dono do Café Riso, também decidiu focar o público de alto padrão. Seu novo estabelecimento, na Rua Bocaiúva, a meca dos endinheirados da Capital, abriu as portas há um ano, voltado exclusivamente para quem tem bom gosto e pode pagar por ele.

– Este é um nicho de mercado que está crescendo. Atendemos desde o público local até executivos em negócios e turistas. São clientes muito exigentes, que querem qualidade e estão dispostos a pagar por serviço e conforto – ressalta.

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