Seu filho insiste em usar roupas do sexo oposto? Descubra o que isso significa

Tal atitude pode ser passageira ou um indício de transtorno de gênero

Consultora americana conta em livro (My Princess Boy, foto) por que decidiu acatar o pedido do filho de 5 anos e vesti-lo como uma princesa
Consultora americana conta em livro (My Princess Boy, foto) por que decidiu acatar o pedido do filho de 5 anos e vesti-lo como uma princesa Foto: Reprodução

Era Halloween, uma das mais tradicionais festas da cultura norte-americana e das mais celebradas pelas crianças. A consultora Cheryl Kilodavis levava seus dois filhos, Dkobe e Dyson, para comprar fantasias. Ao chegar à loja, Dkobe, o mais velho, foi direto àquelas de super-heróis. Dyson, ao contrário, dirigiu-se até uma sessão repleta de brilhantes asas de borboletas, vestidos de princesa e acessórios cor-de-rosa. Olhava tudo com extrema atenção, até que encontrou um vestido azul que o fez sorrir de orelha a orelha.

? Ele retirou do cabide, mediu em seu corpo e começou a implorar que eu comprasse. Meu filho desejava se vestir de princesa no Halloween ? lembra Cheryl.

Não era a primeira vez que Dyson, hoje com 5 anos, demonstrava interesse por peças femininas. Desde os 2 anos, gostava de roupas cor-de-rosa, brilho e joias. A primeira reação da mãe foi de choque. Com firmeza, ela tentava tirar essas ideias da mente do filho, mesmo sem encontrar apoio no marido, Dean.

? Ele dizia que, se aquilo o fazia feliz, não havia problemas.

Mas ela não aceitava.

? Só quando o irmão, Dkobe, me perguntou por que eu não queria deixar Dyson ser feliz que percebi: eu estava fazendo a vida do meu filho miserável.

Em vez de repressão, decidiu pelo apoio.

Se, para ter uma infância alegre, Dyson precisava usar vestidos, não seria Cheryl quem impediria. A história de como ela aceitou

Meninas de calção
 
:: O exemplo Jolie Pitt

Fora do Brasil, as roupas masculinas da pequena Shiloh Jolie Pitt, filha do casal hollywoodiano Brad Pitt e Angelina Jolie, repercutiu em várias revistas sensacionalistas, que acusam os pais de quererem transformar a filha em um garoto. Os astros, no entanto, alegam acatar a vontade da filha, hoje com 4 anos, que desde os 2 começou a aparecer com figurino masculino.

o processo de formação da identidade de gênero do filho tornou-se o livro My princess boy (Meu garoto princesa, em tradução livre), no qual ela conta como sua família entendeu que o mais novo era diferente do que esperavam. “Claro que eu tinha uma imagem de família perfeita na minha cabeça. Mas o livro veio para falar de aceitação”, garante Cheryl.

A falta de entendimento perante o diferente, comum na idade adulta, torna-se ainda maior se o alvo do preconceito é uma criança. Quando as discussões entram no âmbito da identidade de gênero, a incompreensão, em muitos casos, também é repressora, ocasionando comportamentos como o bullying.

Não há como definir o que é normal na formação da identidade de gênero de uma criança nem dizer que o simples desejo de se vestir como o sexo oposto seja um distúrbio.

? Podemos dizer que o natural é que haja compatibilidade anatômica e mental ? afirma o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do ambulatório de transtorno de identidade, de gênero e orientação sexual do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ou seja: se nasce com o corpo masculino e a mente masculina, ou o contrário. Entretanto, diferentemente da sexualidade, o transtorno de identidade de gênero leva a pessoa a não se reconhecer na imagem que vê no espelho. E, apesar de raro, o processo inicia-se ainda na infância.

O toque na infância
Uma das maiores dificuldades dos pais é saber como reagir quando seus pequenos descobrem que têm órgãos genitais e decidem mexer com eles. Segundo o pediatra Eric Yehuda Schussel, do Departamento Científico de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria, essa fase é importantíssima para uma vida sexual saudável na idade adulta.

? Só podemos ter prazer no sexo caso conheçamos o nosso corpo, e a criança tem prazer em se descobrir.

Essas descobertas, para Eric Yehuda, devem vir sempre acompanhadas de diálogo, que vai ser pautado na cultura do local onde a criança nasce, mostrando que não é errado se tocar, mas que há hora e lugar.

? E é bom lembrar: não há relação entre comportamentos infantis e a definição da sexualidade no futuro ? alerta o médico.

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