Síndrome do intestino irritável atinge 25% da população

Problema provoca mau humor, azia, cólica, constipação e outros sintomas

Problema é mais comum entre as mulheres
Problema é mais comum entre as mulheres Foto: Diego Redel

Nos exames tudo parece normal, o intestino está perfeito, não há sinais de lesões ou inflamações. A síndrome do intestino irritável (SII) é um problema invisível aos aparatos da medicina diagnóstica. Sua manifestação, no entanto, não é nada discreta e vem acompanhada de algumas saias justas e muito incômodo. Trata-se de uma alteração funcional que compromete seriamente o desempenho dessa porção do aparelho digestivo com sintomas que variam de indivíduo para indivíduo.

Os mais comuns são diarreia ou constipação, gases, cólicas, barriga inchada, náuseas e até vômitos, desconfortos capazes de limitar a vida profissional e social de qualquer pessoa. Em países do mundo ocidental, a SII atinge de 20% a 25% da população e é mais comum entre as mulheres, numa proporção de três delas para cada homem.

Não se sabe com exatidão as causas que levam o paciente a apresentar a síndrome do intestino irritável. Para alguns, os sintomas vêm e vão periodicamente. Para outros, os episódios que caracterizam a irritação do intestino são diários, conturbando a rotina e deixando a pessoa preocupada, imaginando ser vítima de doenças graves. Estudos sugerem que o distúrbio esteja ligado a uma disfunção associada ao sistema nervoso central e ao sistema nervoso do próprio intestino.

O médico João Gomes Netinho, especialista em coloproctologia ? área da medicina que trata as doenças do intestino ? explica que pesquisas apontam alterações no movimento intestinal, hipersensibilidade visceral e participação de alguns neurotransmissores, principalmente a serotonina, em pacientes que sofrem com a síndrome.

– Não existem anormalidades estruturais, como úlceras e infecções, por exemplo. Por isso, a síndrome do intestino irritável se caracteriza como um problema funcional, que não evolui para qualquer tipo de doença orgânica ao longo da vida, mas que pode e deve ser tratado – pondera.

Alterações e sinais
Segundo Netinho, apesar de se revelar como um dos motivos mais frequentes de consultas a gastroenterologistas, menos da metade da população acometida pelo problema busca ajuda especializada, o que impossibilita o tratamento adequado. Um relógio biológico totalmente descontrolado, seja em forma de constipação ou diarreia, desconforto abdominal e, em muitos casos, dor e azia são alterações intestinais que marcam a SII.

Esses sintomas se agravam após as refeições ou em períodos de turbulência emocional e são amenizados depois da evacuação. Pessoas estressadas, ansiosas e angustiadas são mais susceptíveis ao problema. Mas isso não significa que todas as vítimas de distúrbios emocionais têm a síndrome.

– A parede do intestino é constituída de artérias, veias, nervos e secreções conhecidas como neuro-hormônios. Em pacientes que apresentam a síndrome, há alterações dessas substâncias, principalmente a serotonina. Ocorre uma desorganização da estrutura intestinal que compromete a motilidade e sensibilidade do órgão – esclarece o especialista.

Por traz de tudo isso, os fatores psicológicos e ambientais, como distúrbios de sono, alteração de humor, sedentarismo e alimentação inadequada agravam a síndrome. Por isso, de acordo com Flávio Ejima, gastroenterologista e endoscopista do Hospital Brasília, o diagnóstico não é imediato.

– O médico deve fazer um trabalho de investigação em relação aos hábitos de vida e alimentos que possam estar associados ao transtorno. Se os exames não detectam a SII, eles são importantes para excluir doenças malígnas do aparelho digestivo – pondera.

Alguns pacientes melhoram com dieta de exclusão, outros precisam ingerir medicamentos que controlam os sintomas. São drogas que aliviam o desconforto e ativam a motilidade, ou seja, a movimentação do intestino. Antidepressivos também podem ser úteis em alguns casos e os exercícios físicos são sempre benéficos.

Noites em claro
O sono é um processo ativo que envolve múltiplos e complexos mecanismos fisiológicos e comportamentais em várias regiões do sistema nervoso central. Problemas como ronco, apneia, bruxismo, narcolepsia e sonambulismo são considerados por especialistas os distúrbios mais comuns do sono e comprometem seriamente a qualidade de vida de adultos, idosos e até de crianças. Os distúrbios do sono, segundo especialistas, agravam a síndrome do intestino irritável.

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