Sintomas leves de gripe não devem levar crianças às emergências dos hospitais

Espera em um ambiente com muitos doentes tossindo e espirrando

Zangado, o mal-humorado entre os sete anões da Branca de Neve
Zangado, o mal-humorado entre os sete anões da Branca de Neve Foto: Reprodução

É época de emergências lotadas nos hospitais gaúchos. Além da chegada do inverno, que sempre contribui para o aumento da procura por esse serviço, o aumento do número de casos de gripe A e do temor de pacientes que suspeitam ter contraído a doença leva muita gente aos serviços de urgência em busca de atendimento e exames para a confirmação do diagnóstico. O problema é que boa parte dessas pessoas não precisaria ter se deslocado até esses locais. Pior: muitos ficaram horas na fila, em salas com aglomeração de doentes tossindo e espirrando o tempo todo. Mais expostas, portanto, ao contato de vírus.

Por isso, os médicos começam a alertar sobre qual é o melhor momento para se procurar as emergências de hospital. O alerta vale principalmente para pais de crianças, que costumam ser os mais atentos e preocupados com a saúde dos filhos.
Para o pediatra Juarez Cunha, somente crianças com os sintomas bem mais acentuados deveriam seguir para uma emergência. As manifestações são febre alta (acima de 38°C), dificuldades respiratórias, perda de ânimo e apetite e redução nas atividades diárias, além de dores no corpo. Esse quadro indica uma doença que já evoluiu bastante e requer cuidados especiais.

– Quando a criança está com os sintomas mais leves, o indicado é que os pais procurem o pediatra de confiança ou um posto de saúde. Assim, evitam as emergências e recebem as orientações mais adequadas – recomenda Cunha.

A dica já é importante atualmente, mas deve ganhar ênfase em um futuro próximo. A previsão é de que a gripe A se alastre rápido no Brasil e principalmente no Rio Grande do Sul, devido às fronteiras com o Uruguai e a Argentina. Quem estiver bem informado vai evitar preocupações desnecessárias e saberá encarar o problema da melhor maneira. Se a população for esclarecida e cada um fizer sua parte, as emergências não ficarão lotadas e não haverá pânico entre os gaúchos, como explica o presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, José Paulo Ferreira.

– Não é peste negra nem gripe espanhola. A nova gripe vai chegar por aqui, mais cedo ou mais tarde. O importante é que os pais fiquem calmos e busquem ajuda com seu pediatra quando necessário, sem pânico nem histeria – ressalta.

Quando ir à emergência

– Quando a febre aumenta muito (acima de 38°C), é recomendado procurar um médico com urgência. A febre é sinal de algo está mal no organismo e, nas crianças, principalmente as menores de dois anos, a evolução da doença pode ser muito rápida.

– Se a gripe ficar muito forte, a criança poderá ficar com as vias respiratórias congestionadas. Isso prejudica desde o sono até a capacidade de recuperação. Quando a dificuldade for intensa, vá a uma emergência.

– É comum que as crianças, mesmo doentes, continuem brincando, correndo e sorrindo. Essa situação significa que o quadro não é muito sério. Se ficarem abatidas, é uma grande indicação de que a saúde está debilitada.

– Antes da emergência, se o quadro não for tão sério, o primeiro passo é procurar um consultório médico ou um posto de saúde. Com os setores de urgência lotados, a criança pode esperar por horas e ainda corre risco de se contaminar por algum vírus presente no local.

Se ficarem dúvidas, peça orientações

– Os pais devem ficar sempre atentos às gripes, ainda mais com o novo vírus em circulação. O que os médicos pedem é que não haja histeria nem excessos. Avalie bem a situação. Se tiver dúvidas ou ficar angustiado, ligue para um médico e peça orientações.

– Se a criança não está bem, vá ao consultório de um profissional conhecido ou a um posto de saúde. Assim, eles fazem as avaliações necessárias e você ajuda a não superlotar as emergências.

– Tosse, espirros e indisposições breves não precisam de maiores cuidados. Aguarde para ver se a criança reage bem.

– Febre é sinal de alerta, mas abaixo dos 38°C e sem outros sintomas importantes não é necessário ir a uma emergência. O indicado é consultar o pediatra mais próximo ou de confiança.

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