Solidão é tão prejudicial quanto tabagismo e alcoolismo, aponta pesquisa

Pessoas com fortes relações sociais têm 50% mais chances de sobrevivência

Influência das relações sociais sobre o risco de morte é comparável com a de fatores de risco do tabagismo e do consumo de álcool
Influência das relações sociais sobre o risco de morte é comparável com a de fatores de risco do tabagismo e do consumo de álcool Foto: Ricardo Wolffenbüttel

Viver longe da família, morar sozinho, não ter tempo para sair com amigos é a realidade de muitas pessoas em todo o mundo. E isso vem se tornando cada vez mais comum. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores americanos desenvolveu uma pesquisa que alerta para os riscos da solidão, que segundo os resultados, é tão prejudicial quanto o tabagismo e o alcoolismo.

Há muitas razões para acreditar que as pessoas estão cada vez mais isoladas socialmente. As famílias estão cada vez menores, e muitos estão adiando o matrimônio ou mesmo a maternidade, afirma o texto do estudo.

No Reino Unido, de acordo com dados recentes da Mental Health Foundation, 10% das pessoas geralmente se sentem solitárias. Um terço tem um amigo próximo ou parente que acredita que esteja muito sozinho, e metade pensa que as pessoas estão se tornando cada vez mais solitárias.

Fortes relações sociais aumentam chances de sobrevivência

A partir dos 148 estudos com dados sobre a mortalidade de indivíduos em função das relações sociais chegou-se a conclusões preocupantes. Os resultados mostraram que pessoas com fortes relações sociais têm 50% mais chances de sobrevivência do que aqueles que apresentam relações sociais mais fracas.

A conclusão indica que a influência das relações sociais sobre o risco de morte é comparável com a de fatores de risco do tabagismo e do consumo de álcool e pode superar a influência de fatores de risco como sedentarismo e obesidade. Segundo o estudo, ainda é preciso determinar exatamente como as relações sociais podem ser usadas para reduzir o risco de mortalidade.

Segundo o estudo, realizado pela Brigham Young University, apesar de muitas pesquisas sobre mortalidade incluírem medidas de relações sociais, a idéia de que a solidão é um fator de risco para óbito ainda não é amplamente reconhecido por organizações de saúde e pelo público. 

? Médicos, profissionais de saúde, educadores e os meios de comunicação devem agora reconhecer que as relações sociais influenciam os resultados de saúde dos adultos e devem levar os relacionamentos sociais tão a sério quanto os outros fatores de risco que afetam a mortalidade ? afirma o texto da pesquisa, publicada no site da Plos Medicine.

Os dados foram registrados a partir de 308.849 participantes, 51% da América do Norte, 37% da Europa, 11% da Ásia, e 1% da Austrália.

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