Solidão pode ser mais prejudicial para saúde do que obesidade, tabagismo e sedentarismo

Incentivo à competição e ao individualismo são as principais causas da "dor social"

Já diz a sabedoria popular que a diferença entre o remédio e a veneno está na dose
Já diz a sabedoria popular que a diferença entre o remédio e a veneno está na dose Foto: Glaicon Covre

Os seres humanos são mais interdependentes do que se pensa. A individualidade exacerbada e a solidão, retrato das “relações” atuais, pode ser mais nocivo para a saúde do que a obesidade, tabagismo ou sedentarismo.

Segundo o psicólogo John T. Cacioppo, autor do livro Solidão, o isolamento é uma “dor social”, que pode causar males físicos e mentais graves.

A análise multidisciplinar de Cacioppo, criador da neurociência social, mostra as consequências do isolamento das sociedades do século XXI, cada vez mais distantes da necessidade vital de convívio de nossos ancestrais primitivos.

? Nossa pesquisa sugere que ‘sem-solidão’ ? não há termo melhor ou específico para isso ? é algo como ‘sem-sede’ e ‘sem-dor’, algo que faz parte do estado normal das coisas. A saúde e o bem-estar para um membro de nossa espécie requerem, entre outras coisas, estar satisfeito e seguro em seus laços com outras pessoas, uma condição de ‘não se sentir só’ .

Dor social

O incentivo à competição e ao individualismo são as principais causas da dor social. Este sentimento de “não pertencimento” ocupa o mesmo lugar que a dor física no cérebro humano.

A persistência desta sensação pode prejudicar a transcrição do DNA nas células imunológicas e comprometer a reflexão, a disposição das pessoas, assim como o exercício da sociabilidade e a regulagem das emoções. O resultado deste círculo vicioso é a fixação em comportamentos autodestrutivos, responsáveis pelo aumento da sensação de isolamento.

A pesquisa revela que os seres humanos são muito mais entrelaçados – em termos fisiológicos e psicológicos – do que se supõe e destaca o poder terapêutico dos vínculos sociais. 

 

Solidão
Editora Record
John T. Cacioppo e William Patrick
Tradução de Julian Fuks
336 páginas

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