Stefhany faz sucesso com vídeo de produção caseira

Piauiense de 17 anos vem sendo comparada ao fenômeno Susan Boyle

Mistura de Sandy e Beyoncé do Piauí, Stefhany tem na mãe sua maior incentivadora
Mistura de Sandy e Beyoncé do Piauí, Stefhany tem na mãe sua maior incentivadora Foto: Ana Branco, Agência O Globo

O nome dela é Stefhany Sousa. Tem 17 anos, aparelho nos dentes e se ama. Se acha linda, absoluta. É caso raro de adolescente sem crise. Possui uma autoestima extraordinária. Aí reside a chave de seu sucesso. Stefhany não passava de uma menina de Picos, cidadezinha no interior do Piauí, que, como centenas de meninas nesse Brasil, acreditava em seu potencial físico e artístico. O que fez? Não esperou que uma fada madrinha a descobrisse por coincidência nos corredores de supermercado. Usou a tecnologia a seu favor. Gravou um vídeo caseiro da sua música de maior sucesso, Eu Sou Stefhany, uma versão de A Thousand Miles, de Vanessa Carlton, que ela ouviu no filme As Branquelas.

O clipe Absoluta mostra Stefhany cantando a música, se produzindo, pegando as chaves do carro e dirigindo sem destino pelas ruas empoeiradas de Inhuma, onde mora, no interior nordestino, enquanto entoa frases do tipo: “No meu Cross Fox eu vou sair/ Vou dançar/ E me divertir”. Foi um estouro, virou fenômeno instantâneo na internet com mais de um milhão de acessos no YouTube.

O mais recente capítulo dessa história foi mostrado no programa Caldeirão do Huck, do sábado 27 de junho. Sabendo que entre os sonhos de Stefhany estava cantar na Rede Globo e comprar seu próprio Cross Fox (o do clipe foi emprestado por um vizinho), o apresentador Luciano Huck montou toda a cena. Convidou a cantora para participar da atração, fez uma parceria com a Volkswagen e presenteou-a com um Cross Fox amarelo (a cor que ela queria) zerinho. O público delirou, e a fabricante de carros, satisfeitíssima com o Ibope, já anunciou que contratará Stefhany para cantar nas festas de final de ano da empresa.

– Eu sabia que chegaria lá – comemora Sthefany. – Sou linda. Absoluta.

A mãe da estrela, Nety França, uma ex-cantora de forró, também nunca duvidou do talento da filha. É sua maior incentivadora, quem costura suas roupas, escreve as letras das músicas, verifica os contratos e dirige os clipes. O enredo de Absoluta, aliás, foi ideia dela.

– Minha filha tinha ganhado um chifre do namorado e minha filha é guerreira, não pode ficar chorando pelos cantos. A música fala disso – contou ela ao jornal O Globo.

Ultimamente, Nety dedica-se também a driblar ofertas de revistas masculinas sedentas por exibir Sthefany nua.

– Ela tem muitos fãs que são crianças, portanto, neste momento, não estamos pensando nisso – despista. Nety credita a Deus o fato de a filha ter se tornado cantora. Tanto pediu a graça que fez uma promessa: se Sthefany, algum dia, fosse convidada para cantar em um programa de televisão, ela, Nety, vestiria uma jumenta com as roupas da filha (saias de lantejoulas e tops de renda) e viajaria até Juazeiro do Norte, no Ceará, para agradecer a dádiva alcançada. Luciano Huck convenceu-a de que os 10 quilômetros entre o Hotel da Barra da Tijuca, onde mãe e filha ficaram hospedadas, no Rio, e a Central Globo de Produção já cumpriam o tratado divino. E Nety fez o percurso feliz da vida em cima da jumenta.

A visita ao Rio de Janeiro serviu ainda para Sthefany cantar três músicas ao lado de sua fada madrinha, a cantora Preta Gil. Boa parte do público que lotou o Canecão era, na verdade, fã da Sthefany e se armou de cartazes e gritos de “linda” e “absoluta” quando ela subiu ao palco.

Mistura de Sandy e Beyoncé do Piauí, Sthefany já fazia certo sucesso no Nordeste antes de estourar na Internet. Debutou na carreira solo ao ser dispensada, cerca de um ano e meio atrás, pelo cantor Tonivan dos Teclados, com quem fazia dupla. Ficou tão deprimida que parou de comer. Pensou em desistir de tudo. A mãe não deixou. Estimulou a filha a gravar um CD e um DVD, com imagens produzidas na região de São José, Inhuma, Bocaina e Picos, fortalecendo a ligação de Stefhany com a região em que vive. Em três meses, foram vendidas 13 mil unidades. Nos estados do Nordeste, ela costuma lotar os clubes em que se apresenta. A plateia, sempre histérica, é eclética: de crianças a senhoras.

Após a aparição na internet (ela já foi comparada ao fenômeno Susan Boyle devido à audiência na rede), os compromissos de Sthefany mais do que triplicaram. Hoje em dia, faz uma média de 25 shows por mês, principalmente no norte e nordeste do país. Sthefany é a primogênita das três filhas de Nety França. Jocelyn, de 15 anos, e Ariane, 12, podem ser vistas ao lado da irmã no clipe famoso. O trio aparece de maiô, no terraço da casa onde moram, imitando o rebolado de Beyoncé. Vivem todas juntas em Baixas do Maranhão, região de Inhuma, no interior do Piauí.

A biografia familiar abrange um capítulo trágico. Sthefany perdeu o pai brutalmente assassinado durante um assalto. Ela e as irmãs foram criadas apenas pela mãe. E só agora começam a se ver livres de preconceitos.

– Quando Sthefany começou a carreira, o povo olhava torto e ninguém queria ser amigo da minha filha – conta Nety. – Agora que ela apareceu na televisão, você não sabe o que tem de gente procurando a amizade dela.

Outra queixa diz respeito ao machismo que impera na região:

– O povo não compreende quando me vê conversando com homens. Estou apenas tratando dos negócios da minha filha.

Nety cuida sozinha de todas os lucros e dividendos. Não confia nem sequer na própria sombra. Por enquanto, Sthefany tem apenas uma única poupança – e todo o rendimento vem sendo depositado lá. O primeiro objetivo era comprar o Cross Fox amarelo, que ela acabou ganhando de presente. Agora, todos os esforços se concentram para a aquisição de um ônibus de R$ 280 mil, que servirá de meio de transporte para a cantora sair em turnê transportando uma equipe de 24 pessoas, entre músicos, seguranças e produtores de shows.

Um episódio, ocorrido na última quarta-feira, dá a dimensão do fenômeno Stefhany. A Universal Music Publishing, editora que detém os direitos de A Thousand Miles, proibiu a brasileira de cantar sua versão da música em português. A decisão ainda não é definitiva, e Stefhany espera que a liberação não demore a sair.

– Fiquei muito triste. Não sou ninguém comparada a Vanessa Carlton. Achei que ela fosse pensar: “Ah, é só uma menina do mato” – desabafa.

É, Stefhany também tem seus momentos de modéstia.

Leia mais
Comente

Hot no Donna