Tom Ford, o diretor da estética

Estilista estreia atrás das câmeras buscando o mesmo primor de beleza que utilizou a vida inteira como um dos estilistas mais influentes do mundo

Estilista americano resolveu se aventurar pelo cinema
Estilista americano resolveu se aventurar pelo cinema Foto: Divulgação

Um dos nomes mais importantes da moda atual, Tom Ford foi o responsável por revolucionar grifes como Gucci e Yves St. Laurent até que resolveu alçar voo próprio e criou a grife que leva seu nome. Apesar do sucesso, a moda não foi suficiente para aplacar a criatividade do estilista americano, que resolveu se aventurar pelo cinema.

– Resolvi fazer um filme porque para mim a moda é efêmera. Já o cinema fica – conta o diretor estreante.

Para Ford, que é homossexual assumido, Direito de Amar “não trata de uma história de amor gay”.

– Para mim, o filme fala de algo muito humano. George é, antes de tudo, alguém que sofre por amor e por isolamento – diz.

Ford pode defender o tom universal de Direito de Amar, mas não nega que seu filme levanta questões importantes no que diz respeito ao universo homossexual.

– É claro que falar de temas como a união entre os homossexuais me interessa. Acho indigno como nos Estados Unidos e em outros países não há a possibilidade de se ter uma união civil entre pessoas do mesmo sexo – declara.

– Vivo há 23 anos com a mesma pessoa e nunca tive problema nenhum com isso. Cresci na Nova York dos anos 70, onde os costumes, cultura e hábitos se reinventavam o tempo todo. Nunca houve dilemas quanto à minha opção sexual – contou o diretor que nasceu no Texas, em 1961. – No entanto, meu companheiro foi internado recentemente. Só então percebi como estamos, sim, excluídos. Eu tinha de carregar papéis assinados por ele o tempo todo para provar que podia visitá-lo em seu quarto e que podia tomar decisões médicas por ele se algo acontecesse.

Comprovando que nem só de arte vive o cinema, Ford vai além:

– Se eu morrer amanhã, meu testamento será completamente taxado, mas, se fôssemos casados, a vida dele não teria de mudar, e toda minha herança iria para ele. Acho que o sistema legal é errado. Mas esse não é o foco do filme. O foco está no mundo interior do George.

Mundo este que se traduz na direção de arte e na palheta de cores do filme. É nítida a preocupação estética como extensão do que se passa com cada personagem.

– Espero que tenha ficado claro que o uso das cores foi minha maneira de me comunicar com os sentimentos de George. A história está na cabeça dele. E nós precisávamos encontrar uma maneira de transmitir isso para o espectador. Quando ele está deprimido, tudo é cinza. Quando seu humor começa a mudar, tudo fica intenso e claro.

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