Top models que fizeram sucesso na década de 1990 têm sido cada vez mais requisitadas

Mercado da moda percebeu que mulheres de 40 anos formam bom público consumidor

Cindy Crawford fez sucesso na década de 1990 e segue no mercado
Cindy Crawford fez sucesso na década de 1990 e segue no mercado Foto: AP

Esqueça os modelos esquálidos e adolescentes. Além da beleza, a moda agora quer uma única característica nas moças e moços que desfilam nas passarelas: personalidade.

A tendência surgiu em 2008, quando algumas publicações, como Vanity Fair, e marcas tradicionais, como Chanel, resgataram as top models dos anos 1990. Isso mesmo, Cindy Crawford, Claudia Schiffer e Naomi Campbell estão em voga prestes ou mesmo depois de completar 40 anos.

Essa ascensão de modelos com história e personalidade está mexendo com a maneira como se edita revistas e como se escolhe rostos para propaganda das marcas. Afinal, no Século 20, modelos foram substituídas por atrizes nas capas de revistas de moda e nos comerciais de cosméticos. Esses novos-antigos nomes ultrapassaram a barreira de modelos e alcançaram o posto de celebridades. Além disso, elas não são excessivamente magras, têm corpo e, principalmente, idade.

Veja o exemplo de Claudia Schiffer. Aos 39 anos, ela foi a garota-propaganda da Chanel na coleção passada. A poucos meses de se tornar quarentona, deu um tempo dos holofotes por conta da sua terceira gravidez.

O maior exemplo de que as tops veteranas estão com tudo foi a capa da Vogue americana de março, com Gisele Bündchen, 29 anos. Fazia sete meses que uma modelo – a última havia sido Christy Turlington – não aparecia numa capa da revista, que tem preferido celebridades, apesar de ser uma publicação especializada. Cindy Crawford, aos 44 anos, por sua vez, estampou a capa de março da Harper’s Bazaar inglesa, mesmo estando longe das passarelas desde 1994. Elle Macpherson, 46, também voltou às passarelas de forma triunfante. Foi a grande estrela do desfile da Louis Vuitton da última Semana de Moda de Paris.

Marina Sakamoto, diretora da agência de modelo Scouting, credita ao mercado consumidor essa mudança de posicionamento das marcas de moda.

– Hoje, as empresas já perceberam que o público feminino de 40 anos é um grande consumidor – explica.

Afinal, mulheres nessa faixa etária já estão estabilizadas financeiramente e com bons empregos.

Essa mudança já tem afetado o início da cadeia da moda. Os novos rapazes que aparecem nas agências não bastam ser bonitos: têm que ter algo a mais.

– Nesse novo universo da cirurgia plástica, qualquer um pode ser ter um rosto lindo. São os modelos inteligentes e com personalidade que se mantêm anos no mercado de trabalho – garante Marina.

Por causa disso, será cada vez mais comum ver anúncios com estrelas como Madonna. Com o brasileiro Jesus Luz, por exemplo, ela protagoniza a campanha da italiana Dolce & Gabbana.

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