Traços malfeitos e transmissão de doenças, os maiores vilões da maquiagem definitiva

Especialistas alertam para retoque de expressões faciais como boca e sobrancelha

O nome “maquiagem definitiva” pode parecer atraente pela promessa da beleza permanente. A técnica realmente ajuda muita gente a poupar tempo na hora de se arrumar, além de ser usada por pessoas que perderam a sobrancelha, por algum problema de saúde, ou sofrem de doenças com o Mal de Parkinson, e têm dificuldades para se maquiar. No entanto, a promessa da beleza duradoura pode causar muito descontentamento, já que a pigmentação desbota com o tempo, além de algumas pacientes apresentarem reações alérgicas e ficarem insatisfeitas com a má condução do procedimento.

O consultório da dermatologista Paula Bellotti, no Rio de Janeiro, recebe muitas pacientes que querem remover a pigmentação a laser. O procedimento de retirada é demorado e dolorido. O que mais motiva o arrependimento, de acordo com a médica, é a aplicação da técnica por profissionais não-habilitados.

? A sobrancelha e a boca desenham a fisionomia da mulher. É muito difícil os traços ficarem bons. Recomendo que elas procurem um dermatologista antes de tomarem a decisão, para que eles indiquem o melhor procedimento para seus casos ? diz a dermatologista, que defende a indicação da maquiagem definitiva em alguns casos, como pessoas que perderam a sobrancelha.

A técnica, também conhecida como micropigmentação e tatuagem cosmética, começou a ser usada em 1980, quando foi desenvolvida para tratar a calvície, que também causa a perda de sobrancelhas. Desde então, foi ampliada para atender a vítimas de queimaduras e pacientes de câncer em recuperação, pacientes com artrite e que sofrem do Mal de Parkinson, tendo dificuldades em aplicar maquiagem, e mulheres vaidosas.

Mas no rol de problemas causados pela tatuagem, está o fato de a palavra “permanente” ser usada de forma errada, já que a cor diminui com o tempo. Além disso, existe o risco de contaminação por vírus e bactérias. O importante é procurar um lugar com bastante higiene, já que, além das agulhas, as tintas não podem ser reaproveitadas. A doutora Denise Steiner, diretora da biblioteca da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que não há muitos registros deste tipo de problema no país. Os produtos usados na aplicação da técnica precisam de registro junto à Anvisa.

Nos Estados Unidos, alguns pacientes relatam o desenvolvimento de granulomas (nódulo de tecido cronicamente inflamado, geralmente associado a um processo infeccioso), quelóide, cicatrizes e bolhas, e reclamam da sensação de queimação quando submetidos a ressonância magnética.

As consequências da maquiagem definitiva incluem transmissão de doenças, como Aids, hepatite, estafilococos (formadoras de massas irregulares de células e causadoras de infecções locais com pus), estreptococos (bactérias causadoras de doenças como pneumonia, faringite, febre reumática e meningites), por causa do uso de agulhas contaminadas, e reações alérgicas às tinturas permanentes.

Um artigo publicado na edição de fevereiro do jornal “Clinical Infectious Diseases” relatou um surto de uma micobactéria não tuberculosa que causa infecções na pele, ossos, articulações e pulmões, depois que a maquiagem definitiva foi aplicada na sobrancelha de pacientes.

Um estudo na edição de setembro do “Contact Dermatitis”, jornal oficial da Sociedade Europeia de Dermatite de Contato, investigou reações adversas, como inchaço, ardor e o desenvolvimento de pápulas em quatro pacientes que passaram por pelo menos dois processos de maquiagem permanente em seus lábios.

? À luz das reações dermatológicas, recomendamos a regulamentação e o controle das substâncias usadas na pigmentação ? escreveram os autores do estudo.

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