Transformado em hotel, casarão descrito em “Os Maias” atrai turistas em Lisboa

Local preserva a história sem abrir mão de luxo e modernidade

Foto: divulgação

“A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete. Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação do reinado da senhora D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo, assemelhar-se-ia a um colégio de Jesuítas”.

Assim o escritor português Eça de Queiroz inicia uma de suas mais conhecidas obras, o romance Os Maias, publicado em 1888. A arrebatadora história dos irmãos amantes foi recontada em 2001, em uma minissérie homônima na Rede Globo.

Tanto nas páginas de Eça de Queiroz quanto na adaptação televisiva, havia um personagem singular, sem falas ou gestos, mas capaz de interferir nos destinos de todos os demais: a Casa do Ramalhete. Residência da família Maia no centro de Lisboa, o palacete foi mais do que o palco e a testemunha dos eventos trágicos que se abateram sobre eles.

Hoje, o turista que visita Lisboa pode sentir-se parte da obra prima de Eça de Queiroz ao se hospedar em um casarão construído no século 18 e preservado no charmoso bairro das Janelas Verdes, que recria o ambiente imaginado pelo escritor português. O Hotel Palácio Ramalhete é fruto de uma restauração minuciosa e integral do prédio secular, que preservou em detalhes as características originais e incluiu itens de conforto, como um sistema de ar-condicionado, bar e a piscina.

A ideia é proporcionar o máximo de conforto e mordomia ao hóspede, garantindo que ele tenha uma experiência de Lisboa, por meio da tradição de seus casarões. São 12 quartos e suítes temáticos, cada um com uma característica. Entre as mais luxuosas estão as suítes Eça de Queiroz e Ramalhete, esta última com uma vista incrível para o Rio Tejo.

Na decoração estão algumas das mais intensas vivências proporcionadas pelo hotel. Mesclando peças de antiquários portugueses com os tradicionais painéis de azulejos, é impossível não se sentir mergulhado no mundo lusitano pelo simples fato de estar ali. A tentação de ficar é grande, mas deixar o Ramalhete também é um programa imperdível. Caminhar pelo bairro das Janelas Verdes é uma pequena aula de história ao ar livre. No quarteirão do hotel estão boas galerias de arte e o Museu Nacional de Arte Antiga.

Na obra de Eça de Queiroz, o narrador afirma, em dado momento, que são sempre fatais aos Maias as paredes do Ramalhete. Sorte de quem visitará este Ramalhete moderno: sem tragédias e com a promessa de um passeio inesquecível.

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