Um passeio pelo palco e bastidores do espetáculo Varekai, que vem a Porto Alegre este mês

Espetáculo já foi assistido por mais de 720 mil pessoas no país

Um grupo de quatro garotas faz movimentos acrobáticos no trapézio
Um grupo de quatro garotas faz movimentos acrobáticos no trapézio Foto: Belinda Pratten

O circo vem aí!

A partir do próximo dia 26, Porto Alegre recebe mais uma temporada do Cirque du Soleil outra vez, instalado no estacionamento do BarraShoppingSul. A célebre companhia canadense traz à Capital o espetáculo Varekai, atualmente em turnê pelo Brasil e já assistido por mais de 720 mil pessoas no país.

A trupe retorna à cidade pela terceira vez, depois de já ter apresentado por aqui a exuberante montagem Alegría (2008) e a dramática Quidam (2010). Concebido e dirigido por Dominic Champagne, em 2002, o encantador Varekai – palavra que na linguagem dos ciganos romenos significa “em qualquer lugar” – é o 14º espetáculo da companhia. Criado em 1984, em Montreal, o Cirque du Soleil hoje é uma multinacional: são mais de 3,5 mil empregados em cerca de 40 países, com 15 produções apresentadas simultaneamente e lucro anual estimado em US$ 600 milhões.

Para contar a história de uma figura inspirada no mito de Ícaro que cai em um vulcão no meio de uma floresta habitada por criaturas que lembram répteis e pássaros, o Cirque du Soleil mobiliza uma verdadeira cidade mambembe – que inclui até escola para os filhos dos artistas e desloca suas mil toneladas de equipamentos em 65 caminhões. São necessários oito dias de montagem para erguer as 13 tendas – incluindo a tenda principal, chamada de Grand Chapiteau, com 17 metros de altura e capacidade para 2.536 pessoas, onde o show é apresentado.

A convite da produção da turnê nacional, Donna foi até Recife conhecer os bastidores de Varekai e conferir o cotidiano do circo fora do picadeiro. Circulando pelo labirinto de lonas, contêineres e trailers, escuta-se uma babel de línguas que comprova a pluralidade do Cirque: a equipe de 125 pessoas – sendo 57 performers – reúne gente de 26 países. É o caso da guia da reportagem pelas entranhas do acampamento na capital pernambucana, a venezuelana Cynthia Clemente.

– Nunca pensei em trabalhar com circo, mas já estou há seis anos e meio aqui. Aprendi a gostar de viver na mala – diz a relações públicas de 31 anos, responsável pela comunicação da companhia na atual excursão sul-americana.

Tem lugar também para o Brasil nessa ONU circense. Além dos funcionários locais contratados para os diversos serviços – cerca de 200 por cidade -, Varekai tem dois artistas brasileiros: a trapezista Michele Ramos e o malabarista Raphael Botelho Nepomuceno – o carioca encarna o homem que instiga o protagonista Ícaro a se levantar do chão, mostrando sua habilidade de equilibrista em um par de muletas. Observando os artistas ensaiando ou descansando, palhaços sem maquiagem jantando ao lado de trapezistas de tênis, costureiras cerzindo figurinos e carpinteiros serrando cenários, é difícil não concordar com o americano Robert Morgan, diretor de serviços do Cirque du Soleil e responsável por todo o funcionamento do circo nessa turnê:

– Nós cuidamos uns dos outros. Somos mesmo como uma família.

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