Uma em cada quatro adolescentes no Brasil tem HPV

Em algumas meninas, infecção foi detectada já no primeiro ano de vida sexual

Camisinha é o mais completo meio de prevenção
Camisinha é o mais completo meio de prevenção Foto: divulgação sxc.hu

Uma em cada quatro adolescentes sexualmente ativas está contaminada pelo HPV, vírus transmitido na relação sexual que pode causar câncer de colo de útero, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz.

Em algumas meninas, a infecção foi detectada já no primeiro ano de vida sexual. Quando chegam a cinco anos de vida sexual ativa, a porcentagem de infectadas sobe para 40%.

– As adolescentes estão iniciando sua vida sexual muito cedo, sem proteção e com uma grande variedade de parceiros. Como a doença demora a se manifestar, o infectado continua a ter relações, multiplicando os casos – explica o patologista Hélio Magarinos.

Estima-se que 3% das mulheres infectadas pelo vírus podem desenvolver câncer de colo uterino. A doença que pode causar infertilidade, e até mesmo levar a morte, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), e é responsável por cerca de quatro mil mortes por ano no país. Mulheres com até 26 anos podem tomar a vacina contra o HPV, disponível apenas na rede particular de saúde.

– Já há vacinas disponíveis no mercado, mas o mais completo meio de prevenção é o uso da camisinha e os exames periódicos para detectar a contaminação – completa o médico.

A pediatra Maria Cristina Senna Duarte, diretora da NeoVacinas, explica que a vacina disponível no mercado previne contra quatro subtipos de vírus (6,11,16 e 18). A aplicação é simples e consiste em três doses no intervalo de dois meses e meio.

A infecção, alerta a médica, pode até desaparecer com o tempo, mas sem acompanhamento médico, a doença costuma evoluir.

– A imunização persiste com 100% de eficácia contra doenças causadas pelo HPV-16 e HPV-18, que estão diretamente associadas ao câncer feminino – diz Maria Cristina.

Para todas as mulheres sexualmente ativas, recomenda-se visitas regulares ao ginecologista, pelo menos uma vez por ano, para a realização do exame preventivo, o Papanicolau, capaz de detectar o HPV. Quem varia muito de parceiro, ressaltam os médicos, deve procurar o médico a cada seis meses.

Um estudo desenvolvido por pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz detectou que, entre os exames feitos em mulheres adultas (com idade igual ou superior a 20 anos), 5,6% revelaram alguma alteração no colo do útero. Já entre as adolescentes (de 10 a 19 anos), esse percentual chegou a 9%.

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Para evitar surpresas desagradáveis o patologista Hélio Magarino recomenda que mulheres sexualmente ativas façam os seguintes exames para detectar infecções doenças e anemias:

– Papanicolau, que detecta alterações no colo do útero.
– VDRL, para detectar sífilis.
– Hemograma completo.
– Exame de clamídia.
– Sorologia para a hepatite, que detecta infecção pelos vírus B e C.
– Exame de HIV.

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