Uso excessivo da toxina botulínica e de outros tratamentos cria um novo padrão de beleza

Especialistas explicam como isso influencia até mesmo as emoções

Participante do seriado Glee, Charice Pempengco, 18 anos, apareceu num vídeo aplicando botox
Participante do seriado Glee, Charice Pempengco, 18 anos, apareceu num vídeo aplicando botox Foto: Divulgação

Na tela do cinema, a antiga musa dos anos 1990 não consegue emocionar o público. Mesmo que o enredo do filme em questão ou a interpretação da atriz estejam impecáveis, suas expressões faciais congeladas roubam a atenção do espectador. A testa é esticada; os pés de galinha, inexistentes; e a região da boca, que parece inchada, é lisa como a de uma adolescente.

Mas se a intenção era parecer mais jovem e bonita, as marcas do tempo apagadas da pele causam um desconfortável estranhamento. Primeiro, porque parece artificial um rosto tão jovem numa mulher madura. Segundo, pela ausência dos movimentos musculares, agora paralisados. A despeito de tanto incômodo, a imagem da mulher que não tem a idade impressa na face está se transformando em um novo padrão estético, típico de uma era em que a beleza e a juventude são supervalorizadas.

Nessa luta contra o envelhecimento, destacam-se os tratamentos não cirúrgicos, que respondem por 85% dos 10 milhões de procedimentos realizados em 2009, segundo dados da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (Asaps). Entre eles, está a toxina botulínica. Para se ter uma ideia da procura, foram 2.557 milhões de aplicações em um ano. Visto como um verdadeiro elixir contra as rugas, o botox tem atraído tanto interesse quanto preocupação, sobretudo devido ao uso precoce.

Recentemente, houve uma reação em cadeia de médicos e cientistas à exibição de um vídeo em que Charice Pempengco, 18 anos, atriz do seriado Glee, aparece fazendo uma aplicação da toxina. A justificativa? “Uma refrescada no visual”, afirmou numa coletiva.

Depois de alguns dias, a assessoria da atriz deu uma nova versão, afirmando que, na verdade, o produto foi usado para o tratamento de bruxismo.

Se o objetivo era estético ou médico, não se sabe. Mas é fato que cresceu o número de adolescentes em busca do milagre que paralisa músculos. Segundo os dados da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, 12 mil doses do medicamento foram injetadas em americanos entre 13 e 19 anos, um número 2% maior do que em 2008. No Reino Unido, a classe médica divulgou um manifesto chamado Teen toxing, lembrando aos adolescentes que a toxina não impede o envelhecimento natural.

O cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada, alerta que o botox em adolescentes em casos apenas estéticos pode provocar a paralisia dos nervos faciais, além de interferir na mastigação, na fala e no sorriso.

Mas o uso precoce da toxina botulínica não é o único exagero que permeia a relação das pessoas com os procedimentos antienvelhecimento. Para especialistas, o equilíbrio e o bom senso devem prevalecer.

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