Vaidade precoce: cuide quando a criança passa muito tempo se embelezando

Perceber a tênue linha entre a brincadeira e o exagero não parece fácil

Meninas não podem ser estimuladas desde muito cedo a serem tão vaidosas quanto as mães, dizem especialistas
Meninas não podem ser estimuladas desde muito cedo a serem tão vaidosas quanto as mães, dizem especialistas Foto: TK Helena

O despertador toca às 6h convocando para o dever, que começa às 7h em ponto. Lutando contra o sono, ela se arrasta até o espelho para confirmar o que já desconfiava: tantas tarefas por dia e poucas horas de sono lhe causaram terríveis bolsas e olheiras, que só mesmo um bom corretivo dá conta de amenizar.

Ignora os berros que vêm da cozinha chamando para o café da manhã, com pão quentinho e leite com chocolate, e dá início ao ritual obrigatório de todas as manhãs. Abre o estojo de maquiagem, disfarça as olheiras, devolve o corado ao rosto com um blush rosado e ressalta o sorriso com o brilho labial favorito. Por último, penteia os cabelos e escolhe um adereço charmoso. Pronto. Agora, sim, pode encarar o dia que a espera.

O ritual acima tem, aos poucos, invadido a rotina de milhares de lares onde vivem meninas. Paletas de sombras, esmaltes, blushes, pincéis e palavras desconhecidas até para algumas mulheres já crescidinhas, como bronzer (ou pó bronzeador para as menos íntimas), passaram a fazer parte do vocabulário de pequenas que mal dão conta de pronunciar o próprio nome.

Todos esses itens pularam da prateleira mais alta para a mais baixa nos supermercados e nas lojas de cosméticos e se juntaram a ursinhos de pelúcia, bonecas, jogos de tabuleiro e gadgets tecnológicos. Sim, elas têm nécessaires cheias de maquiagem, pintam as unhas e não deixam de encher o guarda-roupa com peças que fariam inveja mesmo às mais antenadas fashionistas. Nada passa despercebido por essa geração que dribla pais, dermatologistas e pedagogos preocupados com os desdobramentos de tanta vaidade no futuro.

Enquanto ele não chega, elas não só aprendem como ensinam no portal de vídeos YouTube dicas de maquiagens úteis para pessoas com o dobro, o triplo ou o quádruplo da idade delas. Duvida? Se o excesso de vaidade é motivo de preocupação dos especialistas mesmo entre adultos, com as crianças a coisa é ainda mais grave. Psicólogos e pedagogos defendem que maquiagem nas baixinhas é até legal, mas desde que seja encarada como uma brincadeira e que tenha acompanhamento de perto dos pais.

? A menina que vive em função de se maquiar, enquanto o mais adequado para a idade dela seria brincar, revela que está passando por alguma dificuldade emocional ? afirma a psicóloga Patrícia Spada.

Perceber a tênue linha entre a brincadeira e o exagero não parece fácil. Uma dica é observar o tempo que o ato de se embelezar ocupa na rotina da criança. 

? Se a menina não sai de casa porque não acha o batom, se fica acordada até tarde mexendo na nécessaire, se vai mal na escola e se isso afeta a vida social dela, é hora de impor limites ? orienta a psicóloga Penélope Ximenes.

E o limite, que para muitas mães é um quebra-cabeça sem encaixe, é mais simples e fácil do que pintam os pais, segundo a pedagoga: – Diga não.

A coisa só fica mais complicada quando o comportamento da criança é quase uma réplica da mãe ou quando, sem perceber, ela incentiva a vaidade da criança, como observa Patrícia Spada.

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