Vida intelectual ativa ajuda no bom funcionamento do cérebro

Qualquer tipo de atividade colabora para manter a saúde do orgão em bom estado

Scarlett se apresentou pontualmente ao meio-dia, mas dedicou menos de um minuto às câmeras
Scarlett se apresentou pontualmente ao meio-dia, mas dedicou menos de um minuto às câmeras Foto: Sergio Barrenechea/EFE

Pesquisa realizada por uma instituição americana dá novo ânimo e inspiração para quem quer envelhecer com saúde e, principalmente, com a memória sempre em dia. O estudo analisou a vida de mais de 1,3 mil entrevistados, entre 70 e 89 anos, e percebeu que as pessoas que mantêm atividades diárias simples, como fazer artesanato, ler ou trabalhar com o computador, podem ter menos risco de desenvolver um tipo de perda de memória com o avanço da idade, conhecida como transtorno cognitivo leve. Esse transtorno se caracteriza por pequenos esquecimentos, que não chegam a alterar a rotina do paciente.

Para aqueles que gostam de trabalhar com pintura, costura ou tricô, por exemplo, o risco de desenvolver a doença é 30% a 50% menor se comparado com as pessoas que não praticam essas atividades. Já para o pessoal que gosta de ler e manter atividades sociais, o risco de sofrer com perda de memória cai 40%. Cabe ressaltar que a rotina saudável com atividades intelectuais deve ser seguida, pelo menos, desde a meia-idade, por volta dos 50 anos.

– O estudo é animador porque demonstra que envelhecer não precisa ser um processo passivo. Por se dedicar a essas tarefas, você pode se proteger contra a perda de memória futura – afirma Yonas Geda, neuropsiquiatra da Clínica Mayo, em Minnesota (EUA), e autor da pesquisa.

Um dos mistérios que permanece entre os médicos é saber até que ponto a boa memória é causa ou consequência para a manutenção das atividades. Mesmo sem a resposta conclusiva, o importante é colocar em questão o fato de que envelhecer não significa necessariamente perder a memória ou a capacidade de raciocínio. Pelo contrário.

Com o passar dos anos, pode-se ter mais condições de cruzar dados, analisar acontecimentos com calma e tomar uma decisão mais acertada, como explica Martin Cammarota, pesquisador do Centro de Memória do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

– A memória do idoso não é pior nem melhor. É diferente.

O importante é saber que perda, com a idade, pode ser consequência de alguma doença, que, se tratada, pode ter cura. Está errado achar que é normal só porque a pessoa ficou mais velha – complementa.

Qualquer tipo de atividade intelectual colabora para manter a saúde do cérebro em bom estado. Ler, costurar, escrever, brincar com palavras cruzadas e jogar xadrez. Ao colocar a cabeça para pensar, a pessoa necessariamente estimula a formação de novas sinapses. Sinapse é o ponto de encontro dos neurônios por onde passam os estímulos elétricos, essenciais ao bom funcionamento do cérebro. Quanto mais ativo intelectualmente for o indivíduo, mais sinapses apresentará.

Essa quantidade farta de estímulos neurais pode trazer boas consequências e ajudar a retardar o início de algum tipo de perda de memória. Em algumas situações, como na doença de Alzheimer, o cérebro começa a perder parte de suas sinapses, o que reduz a capacidade intelectual. Porém, quanto mais sinapses você tiver desenvolvido ao longo da vida, mais permanecerão ativas.

– Apesar das perdas, a pessoa permanece com muitas sinapses, mantendo o cérebro em boa atividade. Isso empurra para mais tarde o aparecimento de problemas de memória. Por isso, a importância de se ter sempre uma vida intelectualmente ativa – aconselha o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A pesquisa da Mayo Clinic levantou duas hipóteses para explicar os benefícios das atividades:

– A primeira é que o envolvimento com leitura e artesanato pode ser sinal de toda uma vida saudável, ou seja, uma pessoa que segue essas atividades também se preocuparia com alimentação e exercícios.

– A segunda hipótese é que as atividades funcionariam como guardiãs dos neurônios. Elas estimulam o funcionamento correto, evitando a perda dessas células e futuros problemas de memória.

A pesquisa (2006 a 2008)

Os especialistas dividiram os entrevistados em dois grupos: 197 pessoas entre 70 e 89 anos com algum problema de memória e 1.124 pessoas com a mesma idade e sem sintomas. Os grupos responderam sobre atividades que faziam diariamente no ano anterior à pesquisa e na época em que estavam na faixa de 50 a 65 anos.

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