Videogame faz bem à saúde?

Estudo revela que a nova geração de jogos ativos pode ajudar crianças a perder peso

Qualidade do relacionamento com o pai na infância determina a influência na escolha do parceiro
Qualidade do relacionamento com o pai na infância determina a influência na escolha do parceiro Foto: Divulgação

Uma pesquisa divulgada este mês promete uma trégua na briga entre os pais e o videogame. O programa interativo responsável por atrair as crianças para a frente da TV ou do computador agora é considerado um novo aliado no combate à obesidade.

A novidade foi revelada em um estudo da Universidade de Hong Kong e indica que a nova geração de videogames ativos, que permite que o jogador pratique atividades físicas em mundos virtuais, pode ajudar na queima de calorias. Acredita-se que a simulação de movimentos é capaz de gastar quatro vezes mais calorias por minuto do que em jogos nos quais a criança fica sentada. O nível de esforço cardíaco, medido em número de batimentos, também foi significativamente maior nos games ativos.

A ferramenta usada na pesquisa foi a XaviX, do Japão. No Brasil, uma das mais populares consoles que permite jogos com intensa interatividade é a Wii, da Nintendo.

– Dependendo do software, a criança não vai se movimentar mais. A perda de peso está relacionada ao tipo e à intensidade do jogo. A quantidade de tempo em que a criança se exercita também influencia – explica o educador físico Fabiano Piassarollo.

Na casa de Lorenzo Conrado, 12 anos, a mudança não ocorreu na balança, mas no comportamento em casa. Hoje, do lado de fora do quarto, dá para ouvir risadas, pulos e saltos. Sempre que pode, o menino reúne amigos para as partidas de videogame e, se antes eles ficavam em silêncio, concentrados nas jogadas, com o novo equipamento cada partida se transforma em agitação.

– Entre os jogos preferidos estão tênis, boliche e boxe. Até minha mãe aprendeu a jogar – revela Lorenzo.

O novo estilo de se divertir está agradando, inclusive, os pais, que começam a interagir no encontro entre os filhos e os amigos e a utilizar os jogos eletrônicos. Fazendo movimentos com o controle nas mãos ou com equipamentos que simulam pranchas ou skates, os jogadores vibram, se movimentam e se divertem mais.

– O perfil do videogame mudou. Antes, meu filho ficava sentado. Hoje, mais amigos freqüentam a casa e todo mundo brinca. Às vezes, chego a ficar dolorida devido ao jogo – conta a pedagoga Silvia Conrado, mãe de Lorenzo.

Se por um lado a família está comemorando a revolução da tecnologia, por outro, especialistas seguem alertando sobre os perigos do excesso. Por isso, o videogame deve ser uma atividade com horário limitado. Fazer refeições com a família e praticar esportes continuam importantes para o desenvolvimento das crianças, afirma Patrícia Alejandra Behar, doutora em Ciência da Computação com ênfase em Informática na Educação.

– O jogo não pode virar um vício. O ambiente é sedutor, e muitos pais vêem o computador e a TV como uma maneira de se livrar dos filhos – diz a doutora.

Além disso, dependendo do jogo, as crianças podem ficar mais violentas, pois os equipamentos ativos afinam os movimentos e a coordenação motora, alerta a psiquiatra Clara Trathman. Então, nada adianta perder calorias se o conteúdo do jogo não for bem escolhido.

Jogar é bom, mas com moderação

A descoberta por meio de uma pesquisa estrangeira de que os videogames considerados ativos podem reduzir a obesidade das crianças deixou os pais mais tranqüilos este mês. Entretanto, mesmo com o benefício, é preciso reconhecer que limites são necessários. Abaixo, a psiquiatra e psicoterapeuta Clara Ester Trahtman e a doutora em Ciência da Computação com ênfase em Informática na Educação Patrícia Alejandra Behar dão algumas dicas e conselhos sobre o equipamento eletrônico

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna