Videogames auxiliam fisioterapeutas no tratamento com exercícios

Diversas pesquisas comprovam os benefícios dos consoles

Wii (foto) pode trazer benefícios à saúde
Wii (foto) pode trazer benefícios à saúde Foto: nao se aplica

Quando se fala em videogame, a associação imediata de grande parte das pessoas é com crianças. Esta realidade está mudando aos poucos. Aliando as técnicas da fisioterapia com o lúdico dos eletrônicos, muitos hospitais e clínicas têm conseguido ajudar pacientes a ganhar saúde brincando.

O Nintendo Wii, videogame cujo joystick permite movimentos realistas, tirou os jogadores do conforto do sofá, levando-os a se mexer pela sala. O estalo dos fisioterapeutas veio daí: por que não fazer o mesmo com quem precisa de exercício para recuperar o bom funcionamento dos músculos? Desse pensamento surgiu a chamada game terapia.

– A ideia inicial foi de, justamente, brincar com os pacientes. Depois vimos que o videogame auxiliava na recuperação e começamos a estudar seu uso – lembra Hipólito Carraro Júnior, chefe da UTI do Hospital Vita Curitiba.

O centro médico foi o primeiro no Brasil a utilizar o console no tratamento de internos da UTI.

– Nessa situação, eles se sentem muito sozinhos e, como acreditamos que o paciente deve ser mantido acordado, o videogame serviu, inclusive, como terapia ocupacional.

Apesar da relutância que possa existir em convencer um adulto saudável a brincar com games, a dinâmica da UTI faz com que isso mude. Ao garantir ao paciente que o divertimento causa alívio das dores, todos querem experimentar.

– Começamos apenas com os mais jovens e o resultado foi tão satisfatório que internos de todas as idades já testaram – diz Hipólito.

A empolgação trazida pelo desafio incentiva a produção de serotonina, neurotransmissor que garante a sensação de bem-estar e, em níveis elevados, chega a reduzir a dor em até 30%.

A técnica, claro, não fica restrita ao ambiente hermético das UTIs. A fisioterapeuta Maria Ludmila de Freitas aprendeu, num curso em Curitiba, que o Wii pode ser uma ferramenta em processos de reabilitação. De acordo com a especialista, é possível trabalhar força, equilíbrio, condicionamento físico, aeróbico e estimulação cognitiva ao associar os games ao Pilates, por exemplo.

– O curso nos explica quais são os jogos indicados para cada problema. Enquanto o paciente brinca, vemos o que ele faz de errado e tentamos consertar.

Uma coisa não substitui a outra

Um dos esforços atuais é a comprovação científica da eficácia do videogame em tratamentos fisioterapêuticos. Segundo Hipólito Carraro Junior, já são quase 1.000 pacientes estudados no Vita, com análises dos avanços psicológicos e físicos de cada um.

– Mostramos que há diminuição da ansiedade, além do aumento da autoestima. Muitos pacientes idosos contam que voltaram a brincar com seus netos depois do tratamento. Entre os principais games usados está o Wii Fit. Com o auxílio de uma balança que mede o peso e capta os movimentos do jogador, é possível experimentar 48 técnicas de ioga, fazer aulas de aeróbica e participar de treinos de equilíbrio em níveis crescentes.

O chefe da fisioterapia do Hospital Santa Luzia, José Ayres de Araújo Neto, frisa que qualquer técnica que consiga deixar o paciente mais à vontade durante os tratamentos deve ser estimulada.

– Mas, claro, o uso desses aparelhos deve ser acompanhado por um fisioterapeuta. Mesmo divertidos, os movimentos, quando mal executados, podem até agravar a situação.

Além disso, os especialistas entrevistados garantem que a brincadeira não substitui a fisioterapia. Apenas a deixa mais divertida.

Exercitando outras atividades

Não é apenas na fisioterapia que os games podem trazer vantagens. Diversas pesquisas comprovam os benefícios dos consoles.

Cérebro
Estudo da Mind Research Network, em Albuquerque (EUA), com adolescentes que jogaram Tetris por meia hora diária durante três meses, mostrou um desenvolvimento no córtex cerebral maior nos participantes do que nos membros do grupo de controle. Há também games feitos para estimular a área cognitiva, como Big Brain Academy, que exercita cinco habilidades: pensar, memorizar, analisar, calcular e identificar.

Visão
Durante um período, jogos de tiro em primeira pessoa foram usados em pacientes de ambliopia, a síndrome do “olho preguiçoso”. Os pesquisadores da Universidade de Nottingham, Inglaterra, descobriram que o game melhora a visão tanto quanto 400 horas de uso do tapa olho. Outro estudo, na Universidade de Rochester (EUA), demonstrou que jogos do gênero aumentam a capacidade da visão em ficar atenta a vários eventos simultâneos.

Boa forma
Games como o próprio Wii Fit ou aqueles de dança, como o Dance dance revolution e o Just dance, obrigam o jogador a fazer movimentos que simulam exercícios físicos. Em 2010, uma inglesa garantiu ter perdido 50kg só jogando Wii Fit.

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