Vídeos com aparições impagáveis de crianças viram hits na web

Especialistas comentam os efeitos da exposição precoce no mundo virtual

A menina Isabela ficou conhecida nacionalmente após a divulgação do vídeo
A menina Isabela ficou conhecida nacionalmente após a divulgação do vídeo Foto: Reprodução

Compartilhar

Eles são naturalmente fofos. Quando decidem se exibir, então, ficam ainda mais encantadores. Assim, é normal que orgulhosos pais, tios e avós queiram exibir ao mundo a graciosidade de suas crianças. Com o avanço da penetração da internet ? e a explosão de páginas em redes sociais como o Orkut, o Facebook e o YouTube ?, as famílias ganharam mais espaço para registrar as peripécias dos pequenos. Os recursos, no entanto, precisam ser explorados com cautela. Caso contrário, meninos e meninas podem ficar vulneráveis a comentários maldosos e, até mesmo, a crimes virtuais.

Talvez o principal palco para os “artistas” juvenis seja o YouTube. Não há dados sobre a participação de crianças em vídeos do site, mas, volta e meia, alguma minicelebridade virtual aparece na lista de destaques da página inicial. Foi assim com Isabela, 2 anos. A menina virou febre na internet depois que o pai, o designer gráfico Felipe Horst, 27, postou um vídeo em que a filha aparece indignada, cobrando explicações sobre o fechamento de uma porta. “Não fecha a porta, tranquilo?”, diz a garota, depois de muito argumentar com o pai.

Felipe conta que o sucesso da filha era esperado, embora não tanto ? já foram mais de 3,6 milhões de exibições.

? Eu sabia que o vídeo era muito bom e fiz questão de explorar as legendas para deixar tudo ainda mais cômico ? diz.

A família vive em Montenegro, a 55km de Porto Alegre, mas já morou seis anos em Pirenópolis, período no qual os pais de Isabela usavam a web para se comunicar com os parentes.

? Depois que a Isabela nasceu, queríamos mostrar para todos o que ela estava fazendo, como crescia, como brincava ? lembra o pai da menina.

Assim, a garota sempre teve fotos e vídeos publicados na web, primeiro em um blog e nos álbuns do Orkut e, mais tarde, no YouTube e no Facebook ? onde Felipe e a esposa criaram o perfil “Menina Isabela”. A página traz a história da garota, que sofreu uma lesão durante o parto e perdeu os movimentos do braço direito. Além das milhares de exibições, a fama de Isabela rendeu-lhe muitos amigos virtuais e apoio para o tratamento.

? A gente fez muitos contatos, inclusive com pessoas de outros países que se ofereceram para nos ajudar, caso precisássemos ? esclarece Felipe.

O pai afirma nunca ter passado por situações constrangedoras, embora já tenha ouvido comentários desagradáveis.

? Algumas pessoas dizem que a Isabela é mimada, porque ela grita comigo no vídeo, mas isso vem de gente que não a conhece ? avalia.

E, de fato, não há divulgação de incidentes envolvendo vídeos com crianças no YouTube. O Google, responsável pelo site, não informa o número de remoções, tampouco a causa. Mas especialistas afirmam que isso não tem sido um problema na internet.

? Na minha experiência de consultório, não me lembro de ter atendido casos relacionados à exibição de meninos e meninas no YouTube ? diz a psicóloga Luciana Ruffo, do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI) da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Mesmo assim, afirma a especialista, é preciso ter consciência do que significa colocar o vídeo dos filhos na internet.

? A rede de computadores é pública. O mesmo cuidado que você tem com a criança na rua deve existir no mundo virtual ? ressalta.

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna