Violência e pais usuários de drogas induzem os filhos ao vício

Crianças vítimas de maus-tratos e que presenciaram o uso de drogas são mais vulneráveis ao mal

Cuidados caseiros complementam as sessões com o dermatologista
Cuidados caseiros complementam as sessões com o dermatologista Foto: Andrea Graiz

Que os amigos influenciam na experimentação das drogas e que a atração pelo proibido é grande já se sabe. Mas uma pesquisa feita neste ano mostra que a influência do meio familiar pode ser muito mais decisiva do que se imagina na formação do viciado.

Maus exemplos dos pais podem ser determinantes para transformar alguém em dependente químico, revela um estudo coordenado pelo psicólogo clínico Ricardo Sánchez-Huesca, especializado em tratamento de drogados no México.

– Dos dependentes químicos entrevistados, 70% assistiram ou sofreram maus-tratos por parte dos pais. Entre os que não usam drogas, o percentual dos que não vivenciaram violência doméstica baixa para 20% – destaca o especialista no estudo Detecção Precoce de Fatores de Risco para o Consumo de Substâncias Ilícitas.

Huesca é um dos diretores de uma rede de centros de integração juvenil (laboratório preventivo contra drogas e crimes, do Ministério da Saúde mexicano). O trabalho coordenado por ele na Cidade do México ouviu 40 dependentes químicos e 40 pessoas que não usam drogas – todas da mesma faixa etária e da mesma região, para equilibrar a amostragem.

Metade dos entrevistados tinha parentes viciados

O estudo constata também que 50% dos usuários de drogas pesquisados relatam que seus pais ou irmãos mais velhos usavam algum tipo de entorpecente. Entre os não consumidores de drogas, o percentual dos que narram ter familiares envolvidos com uso de substâncias ilícitas é zero.

Huesca acredita que hábitos familiares de consumo de álcool e outras drogas são “sumamente relevantes” para a prevenção e tratamento de drogados – para a prevenção porque o tratamento de adultos usuários de drogas pode evitar a reprodução, por modelo comportamental, dessa conduta em seus filhos. O profissional reforça a proposta de uma maior eficácia terapêutica quando se inclui o modelo de tratamento de toda a família e não apenas do usuário de drogas.

Um terceiro eixo da pesquisa mostra que 23% dos usuários enfrentam dificuldades escolares. Sobretudo, provocadas pela conduta rebelde, o que resulta em expulsão das aulas. Entre os não usuários, apenas 5% relatam dificuldades na escola.

Nas conclusões da pesquisa, Huesca ressalta que muitos dependentes de drogas dizem que, durante a infância, foram deixados aos cuidados de diferentes pessoas. Todos encararam isso como indiferença ou abandono por parte dos pais. Qual a saída? O principal conselho de Huesca é que famílias sejam tratadas, preventivamente, para que seus filhos não se tornem viciados na idade adulta.

O estudo do mexicano será detalhado no 1º Congresso Internacional de Crack e Outras Drogas, que acontece em Porto Alegre entre os dias 7 e 9.

O encontro, que reunirá pesquisadores especializados em prevenção, tratamento e redução do uso de drogas, é promovido pela Associação do Ministério Público, com apoio da RBS.

“70% dos dependentes químicos entrevistados assistiram ou sofreram maus-tratos.”
Sánchez-Huesca, psicólogo

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